APRENDIZAJE ARTÍSTICO EN UN CONTEXTO MIGRATORIO: Cultura organizacional de los albergues para inmigrantes venezolanos en Boa Vista - Roraima/Brasil.

SP.2: Antropologías en disputa: reflexiones y prácticas desde el horizonte continental e insular delCaribe Cultural

Ponentes

Nombre Pertenencia Institucional
Leila Adriana Baptaglin Universidade Federal de Roraima
Luciana Hartmann Universidade de Brasília

Apresentação
No século XXI evidenciamos que os processos migratórios têm se intensificado e, no Brasil não é diferente. A partir de 2016-2017, Roraima foi um dos estados brasileiros que passou a receber inúmeros imigrantes/refugiados venezuelanos impactando diretamente na cultura organizacional da cidade.
Em nossa atuação, da primeira autora, no Curso de Licenciatura em Artes Visuais e dos Programas de Mestrado e Doutorado em Educação da Universidade Federal de Roraima/UFRR, a presença da temática da migração tornou-se inegável. Desta forma, temos mobilizado ações tanto de extensão quanto de pesquisa que envolvem essa temática bem como esses sujeitos imigrantes/refugiados.
Assim, alinhada às investigações desenvolvidas no pós-doutoramento na Linha de pesquisa “Cultura e Saberes em Artes Cênicas” do Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas da Universidade de Brasília, onde a segunda autora atua, esta investigação adentra na perspectiva cultural e educacional a partir do momento em que busca “Compreender como a cultura organizacional se relaciona com as metodologias de ensino/aprendizagem artística desenvolvidas nos abrigos de imigrantes/refugiados em Boa Vista - Roraima/Brasil”.
Diante deste objetivo, o problema de pesquisa busca responder “Como a Cultura Organizacional se relaciona com as metodologias de ensino/aprendizagem artística são desenvolvidas nos abrigos de imigrantes/refugiados em Boa Vista - Roraima/Brasil?”.
Destacamos ainda, o papel dos sujeitos migrantes nesse processo em que eles possam a ser vistos como sujeitos protagonistas e articuladores de suas narrativas em uma cultural organizacional da migração. Neste estudo, buscamos a narrativa dos atores que estruturam essa cultura organizacional dos abrigos e buscamos entender como são processadas as ações artístico/culturais tendo em vista que entendemos a arte como elemento que alavanca o protagonismo dos sujeitos. Temos a clareza que são narrativas distintas, de quem organiza e de quem vive, contudo, nesse momento nosso olhar pautou-se na compreensão dessas estruturas.
 
Travessia
Este projeto parte de uma perspectiva de investigação etnográfica que tem por previsão de durabilidade um ano onde buscaremos estabelecer um contato direto com os abrigos de recepção de imigrantes/refugiados em Boa Vista/RR. A pesquisa etnográfica “é literalmente a descrição de culturas ou de grupos de pessoas que são percebidas como portadoras de um grau de unidade cultural” (Cançado, 1994, p. 1).
Destacamos ainda, a perspectiva da pesquisa enquanto proposta de entendimento do protagonismo dos sujeitos que vivem o espaço dos abrigos. E é nessa perspectiva que buscaremos observar as ações desenvolvidas nos abrigos, tentando compreender como essas narrativas são acionadas a partir do trabalho artístico. Destacamos, contudo, que essa parte, é a primeira etapa de investigação. Neste sentido, trabalhamos no contato com os coordenadores/responsáveis dos abrigos a fim de entender essa cultura organizacional e quais ações artístico/culturais são desenvolvidas no Abrigo Rondon 1, Rondon 5, Pricumã, Jardim Floresta e Waraotuma a Tuaranoko.
 No contato com os abrigos, a primeira etapa pautou-se na entrevista com os coordenadores/representantes e, a partir disso, a elaboração de um mapeamento das ações culturais/artísticas que são desenvolvidas nestes espaços. Essa etapa foi realizada no mês de setembro de 2023 tendo duração de aproximadamente 2h de visita e entrevista em cada abrigo. Destacamos também, que o projeto foi aprovado pelo Comitê de ética e passou por todas as aprovações do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, da ACNUR, da AVSI, Fraternidade sem Fronteiras e dos sujeitos participantes das entrevistas.
Para a análise das entrevistas com os coordenadores/representantes dos abrigos, trabalhamos na perspectiva da Análise de Conteúdo (Bardin, 2011) atendendo às etapas: Pré-análise; Exploração do material e tratamento dos resultados obtidos e interpretação. Nessas etapas construímos as categorias de análise, que se estruturaram em: Cultura organizacional dos abrigos e Projetos artístico/culturais.
Assim, longe de tomar partido e escolher entre uma técnica ou outra, a Análise de Conteúdo garante a possibilidade de utilizar dados quantitativos e qualitativos, na medida em que, sendo uma técnica híbrida, suas abordagens podem ser complementares dando possibilidade de compreendermos melhor como as ações estão sendo desenvolvidas dentro dos abrigos de migrantes/refugiados venezuelanos em Boa Vista/RR.
 
Entendendo Boa Vista – RR e a Cultura Organizacional dos Abrigos
Roraima, é um Estado brasileiro situado na Região Norte do Brasil, cortado pela linha do Equador, possui uma população de aproximadamente 631.181 habitantes, de acordo com a estimativa populacional do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE[1] (2020). Com extensão de 223.644,527 km² e formado por 15 municípios, limita-se ao norte e noroeste com a República Bolivariana da Venezuela, a leste com a República Cooperativista da Guyana, ao sudeste com Estado do Pará e a sudoeste e oeste com o Estado do Amazonas. Foi Território Federal do ano de 1943 até o ano de 1988 quando se tornou um Estado Federado. É um estado constituído pelo processo migratório em diferentes momentos de seu desenvolvimento.
Boa Vista é a capital de Roraima e é a cidade mais populosa do estado, com mais da metade de sua população (636.707 mil pessoas (IBGE, 2022)). No ano de 2023 acumula um total de aproximadamente 105 mil venezuelanos foram encaminhados, pelo processo de interiorização, para 966 cidades brasileiras (O Globo, 2023).
Diante desta situação, temos a implementação de Abrigos para recepção dos imigrantes/refugiados. Estes espaços foram se intensificando e sofrente constantes reorganizações em sua cultura. A cultura organizacional, aqui é acionada pois entendemos ela como uma forma como as “coisas são feitas” em determinada espaço estrutural. Para Fleury (1987, p.10), "A cultura, concebida como um conjunto de valores e crenças compartilhados pelos membros de uma organização, deve ser consistente com outras variáveis organizacionais como estrutura, tecnologia, estilo de liderança. Da consistência destes vários fatores depende o sucesso da organização". É nesse sentido que a análise da cultural organizacional dos abrigos nos permite entender como estão sendo pensadas e trabalhadas as crenças, valores, costumes, ritos, cerimônias e redes de comunicação informal (Crozatti, 2018).
Essa cultura organizacional vem sendo modificada e reestruturada a fim de atender as demandas dos sujeitos migrantes venezuelanos. Assim, temos que, do início da intensificação da migração venezuelana para Roraima, no ano de 2016-2017, até o ano de 2022 tivemos mudanças significativas, conforme consta no relatório do Comitê Federal de Assistência Emergencial – CFAE (2022, p. 22)
 
Em conjunto com o Governo Brasileiro, e em parceria com organizações da sociedade civil, durante o período de abrangência do presente relatório, o ACNUR apoiou a gestão de 14 abrigos em Roraima e o Alojamento de Trânsito em Manaus. Houve a unificação dos abrigos Rondon 1 e Rondon 4 em apenas um centro de acolhimento; inauguração do abrigo indígena Waraotuma a Tuaranoko, e encerramento das atividades de gestão nos abrigos São Vicente II, Anexo BV8, Nova Canaã, Tancredo Neves e Pintolândia. Mediante acordo de cooperação com o MC, a Associação Voluntários para o Serviço Internacional (AVSI), a Fraternidade Sem Fronteiras (FSF) a Fundação Pan-Americana para o Desenvolvimento (PADF) e a ADRA, organizações da sociedade civil parceiras do ACNUR, realizaram a gestão humanitária dos abrigos e ATM, juntamente com a FT Log Hum.
 
Assim, conforme essa reestruturação, no ano de 2023 temos no estado de Roraima 8 abrigos sendo 6 deles em Boa Vista (Pricumã, Rondon 1, Rondon 2, Rondon 5 e os abrigos indígenas do Jardim Floresta e Waraotuma a Tuaranoko) e 2 deles em Pacaraima (BV-8 e o abrigo indígena Janokoida).
Nos abrigos de Boa Vista, temos um total de 6.429 abrigados, sendo 1.709 indígenas. Com essa estrutura dos abrigos, o bairro 13 de setembro tornou-se um dos locais com intenso fluxo de sujeitos imigrantes tendo em vista que acolhe os abrigos do Pricumã, Rondon 1, Rondon 2, Rondon 5 e Waraotuma a Tuaranoko (UNHCR-ACNUR, 2023). Esta configuração estrutural nos mostra a necessidade de uma cultura organizacional calcada nos preceitos apresentados por Crozatti (2018), contudo, fica claro também que os maiores influenciadores desta cultura organizacional são os fundadores e as agencias que lideram estes espaços que, por mais humanitários que procuram ser, apresentam estruturas sistemáticas e operacionais que atendem as dinâmicas organizacionais de uma comunidade/sociedade/empresa.
 
Perspectiva de trabalho com ações artísticas
O olhar para as ações culturais/artísticas nos possibilita adentrar no que Barbosa (2016, p. 03) nos coloca quando traz que “As artes alargam a possibilidade de interculturalidade, ou seja, de trabalhar diferentes códigos culturais.” A arte apresenta-se assim, como relevante para compreensão dos códigos culturais, para isso, torna-se necessário conhecer e respeitar a diversidade que leva a valorização cultural. O processo de mediação é fundamental na construção de uma proposta para o ensino de artes. De acordo com Martins (2006, p. 48) “A arte é, pois, mais do que uma ilustração para as aulas. Como linguagem, como pensamento expresso por outras linguagens, ela potencializa outros modos de percepção de questões que estão sendo trabalhadas”. Assim, o trabalho com artes, mobilizado pelo formador busca contextualizar os processos, procurando, romper com estereótipos. Isso nos remete ao argumento de Barbosa (2016), de que a arte não é só o fazer, mas é o ver, decodificar, contextualizar, ver em relação ao contexto, da sociedade em que você vive, nas suas diversas realidades e culturas.
Observar as estratégias metodológicas e a forma com os sujeitos participantes reagem a esses processos artísticos nos abrigos, nos permite compreender a cultura organizacional no contexto dos abrigos. Essa cultura organizacional pode ser entendida como um modelo de pressupostos básicos que um dado grupo cria e desenvolve no processo de aprendizado onde envolvem resoluções de problemas e adaptações internas e externas. Na estrutura apresentada nos abrigos, entendemos que esta passa por um processo operacional e organizacional apresentando, em alguns casos, uma estrutura bastante rígida e operacional. Contudo, é na perspectiva do trabalho artístico/cultural que buscamos olhar para o protagonismo dos sujeitos migrantes enquanto sujeitos participantes das criações e desenvolvimento das propostas que fazem destes espaços, espaços de percepção de perspectivas antes não exploradas (Martins, 2006).
O protagonismo aqui é visto como uma forma de luta contra a opressão, discriminação e violação dos direitos humanos. Assim, Perrotti (2017, p. 15) destaca que que “[...]   protagonismo   implica   uma   dimensão   existencial   inextricável.   Significa resistência, combate, enfrentamento de antagonismos produzidos pelo mundo físico e/ou social e que afeta a todos”. É neste sentido que vemos a mediação e atuação artístico/cultural também como forma de alicerçar e ampliar esse protagonismo dos sujeitos migrantes na cultura organizacional dos abrigos.
 
Percalços e destinos alcançados
Em uma análise acerca da primeira etapa da investigação pautada na entrevista com os coordenadores dos abrigos, destacamos que a autorização foi dada para acesso à 5 dos 6 abrigos, sendo eles (Pricumã, Rondon 1, Rondon 5, Jardim Floresta e Waraotuma a Tuaranoko). Esta etapa foi bastante demorada, cerca de 8 meses, começando pelo processo de autorização da pesquisa pelo Ministério do desenvolvimento e Assistência Social. Assim, a pesquisa deu início no mês de agosto de 2023. Com a aprovação da pesquisa, iniciamos o contato com o território, a equipe local da ACNUR que nos colocou em comunicação com os representantes dos abrigos e nos possibilitou a realização das entrevistas.
Após o contato telefônico, marcamos a entrevista em cada um dos abrigos o que possibilitou nossa interação e nossa observação dos espaços. Destacamos que as entrevistas foram realizadas no mês de setembro de 2023 e, muitos dos dados relativos às ações são referentes a esse período. Isso é importante de ser destacado devido a constante mudança das ações desenvolvidas nestes espaços.
Na entrevista com os coordenadores/representantes dos abrigos, partimos de um roteiro pré-estabelecido que nos possibilitou a elaboração de uma planilha com dados centrais das ações culturais/artísticas que são desenvolvidas nestes espaços.
Destacamos que, dos 05 abrigos, 2 são indígenas venezuelanos e 3 são de imigrantes/refugiados venezuelanos. Esta organização foi realizada no ano de 2022, após um agrupamento de mais de 15 abrigos existentes no estado, sendo então, assim apresentada: Abrigos indígenas (Jardim Floresta e Waraotuma a Tuaranoko); Alojamento (Rondon 02); Interiorização (Rondon 05); Moradias (Rondon 01 e Pricumã). No que tange à ocupação dos espaços, segundo os dados da UNHCR-ACNUR (2023), todos os abrigos estão com uma ocupação igual ou superior a 80%.
Dos abrigos investigados, temos que são coordenados pela AVSI (3 dos abrigos pesquisados) e Fraternidade sem Fronteiras (2 dos abrigos pesquisados). Todos apresentam parceria com a agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e o Exército Brasileiro.
Nos abrigos coordenados pela AVSI, em Boa Vista, temos o Rondon 1 que é considerado o maior abrigo da América Latina atendendo famílias e população em geral.  O Waraotuma a Tuaronoko é um dos abrigos indígenas e atende pessoas de várias etnias como Warao, Remon, Kariña, Curipaco, Jivi, Wayúu, E’ñepá e Yekuana.  Já o Rondon 5 é nomeado de centro de interiorização que é destinado para as pessoas que estão direcionadas para a interiorização, apresenta assim, estratégia de interiorização e formação para atuação dos sujeitos nos novos estados brasileiros (AVSI, 2023[2]). Cabe destacar que o processo de interiorização é um dos três pilares da Operação Acolhida (Ordenamento da Fronteira Brasil-Venezuela; Abrigamento / Acolhimento de imigrantes da Venezuela; e Interiorização dos imigrantes) (Ministério da defesa, 2022) e segundo a Assistente de Proteção de Base Comunitária - APBC-R5 e os princípios estabelecidos pela UNHCR-ACNUR (2023), temos 4 modalidades de interiorização.
 
·         Abrigo – abrigo (institucional que eles vão deste abrigo, para ir para outro abrigo, que não é igual a esse, mas só tem 3 meses para sair, são para pessoas que não tem nenhum tipo de ajuda de amigos, familiares).
·         Reunião social (eu tenho um amigo e ele faz um pedido)
·         Reunião familiar (a família faz um pedido e a gente faz uma reunião)
·         VES – Vaga de emprego sinalizada (quando a pessoa vai com uma vaga de emprego) (APBC-R5, 2023).
 
Os abrigos coordenados pela Fraternidade sem Fronteiras, em Boa Vista/RR, percebemos um olhar atento para a sua missão “Vivenciar e incentivar a prática da fraternidade, sem restrições étnicas, geográficas ou religiosas, amparando prioritariamente crianças e jovens em situação de vulnerabilidade ou risco social” e, em “Roraima, acolhemos famílias refugiadas e migrantes da Venezuela, que atravessaram a fronteira para o Brasil em busca de uma nova oportunidade de vida” (FSF, 2023)[3]. O abrigo Pricumã atende famílias e população em geral já, o abrigo Jardim Floresta, outro abrigo indígena, atende etnias como: Warao, Eñeapá, Kariña, Guajiro, Akawaio e Pemon/Taurepang.
Segundo as entrevistas realizadas com os coordenadores/representantes dos 5 abrigos, todos eles destacam o protagonismo da comunidade que vive no abrigo.
Na análise das entrevistas, buscamos trabalhar aqui, duas grandes categorias que foram elencadas a partir do roteiro de entrevista realizado com os representantes dos abrigos: Cultura organizacional dos abrigos e, Projetos artístico/culturais desenvolvidos.
Na categoria Cultura organizacional dos abrigos, buscamos compreender a forma com os abrigos são organizados e como funcionam as dinâmicas de participação comunitária.
 As entrevistas nos proporcionaram evidenciar que os abrigos são estruturados a partir de Comitês e Grupos focais constituídos por sujeitos participantes da comunidade.
 Dentre os Comitês, podemos citar: Comitê de Cultura, onde são deliberadas as ações artístico/culturais a serem desenvolvidas; Comitê de alimentação, onde é estruturada a equipe que cuida da recepção e/ou preparo da comida; Comitê de distribuição de alimentos, equipe que trabalha na distribuição dos alimentos; Comitê de limpeza, gerencia e organiza as escalas de limpeza; Comitê de registro, delibera sobre as entradas e o encaminhamento para a acomodação dos novos sujeitos que chegam; Comitê de infraestrutura, cuida da estrutura/espaço do abrigo; Comitê de marmiteiro, trabalha na organização e manutenção das marmitas; Comitê de realocação, equipe que cuida da reestruturação e redistribuição se for o caso; Comitê de esportes, onde são deliberados as ações esportivas e os campeonatos realizados; Comitê de bombeiros, que trabalha com a segurança do abrigo.
Estes Comitês variam em cada abrigo. Um destaque pode ser dado para o diferencial do Comitê de Educação do Abrigo Jardim Floresta onde a interlocutora APBC-JF destaca que
 
[...] tem professores na área dos Eñepá e tem professores também na área dos Warao. Temporariamente, uma vez por semana, eles fazem algumas atividades com as crianças, mais que tudo sobre alfabetização e língua. Eles colocam leitura para aprender tanto a língua nativa quanto a língua espanhola e matemática. [...] Mas eu já tive uma conversa com ele, já estamos com a ideia de ser um projeto de educação dele para ensinar as crianças, é algo mais fixo, tanto na área dos Eñepá como na área dos Warao que também ele também está disponível pra acompanhar nesse sentido. Para não perder a cultura de onde vem. Pois tem muitas crianças que já estão crescendo aqui, não sabem falar a língua nativa e já estão somente falando espanhol e português e já não falam Eñepá e Warao (APBC-JF, 2023).
 
O destaque para a língua espanhola e, para a língua indígena é fundamental pois é um fator que reporta não somente a estrutura linguística, mas principalmente a história e a cultura local. Em ambos os abrigos, a questão linguística é contornada também com a questão comunitária onde segundo o nosso interlocutor APBC-WT
 
A maioria deles fala espanhol, mas tem alguns grupos que só falam a língua nativa, só o Warao, mas aí a gente tem um mediador cultural que faz a tradução (APBC-WT, 2023).
 
 
Além dos Comitês, os abrigos apresentam Grupos focais: Grupo focal de idosos; Grupo focal de homens com as novas masculinidades; Grupo focal de mulheres; Grupo focal de adolescentes; Grupo focal de gestantes; Grupo focal de casais.
Segundo a Gestora de Proteção do Abrigo Pricumã
 
[...] os grupos focais é quando vão fazer atividades de conscientização aí são pessoas que participam com mais frequência e a gente usa como instrumento para propagar informação na comunidade. Mas o Comitê é uma coisa mais fixa. É um trabalho voluntário que no final eles recebem um certificado de participação, o grupo focal não necessariamente (GP-P, 2023).
 
Destacamos assim, que nem todos os abrigos apresentam os mesmos Comitês e os mesmos Grupos focais e que estes são variáveis, dependendo da necessidade do local naquele período.
Ainda, referente ao material necessário para o desenvolvimento das atividades dos Comitês e Grupos focais, temos que são a AVSI e a Fraternidade sem Fronteiras que fornecem os materiais base.
 
Isso, somos nós da AVSI que fornecemos. Tipo assim, a gente envia o planejamento todo final do mês para o próximo mês e a gente já faz o pedido para desenvolver tal atividade e no mês seguinte já entregamos para a pessoa (APBC-R5)
 
A formação e preparação que é feita pela comunidade com acompanhamento dos Assistentes da PBC.
No âmbito do que tange a categoria Projetos artístico/culturais, destacamos que, além dos projetos específicos de cada abrigo, a existência de projetos como: Instituto Pirilampos[4] (escolarização/ensino-aprendizado das crianças).
 
Tabela 01 – Projetos artístico/culturais desenvolvidos nos abrigos – setembro 2023.
  

ABRIGOS

Entrevistados

Coordenação do abrigo

Número de moradores

Projetos de Cultura/Artes

Promoção

Rondon 01

APBC[5]-R1

AVSI

2.138

Oficina de dança

Morador do Abrigo

Rondon 05

APBC-R5

AVSI

885

Oficina de material reciclável

Assistente de Proteção de Base Comunitária

Transformers _dança e música

Moradores do Abrigo

Pricumã

GP-P

APBC-P

Fraternidade sem Fronteiras

1.255

 

Oficinas de Pintura

Moradores do Abrigo

Oficinas de música

Assistente de Proteção de Base Comunitária

Cinema

Comunidade

Jardim Floresta

C-JF

GP-JF

Fraternidade sem Fronteiras

431

 

 

Waraotuma a Tuaranoko

C-WT

APBC-WT

AVSI

1.278

 

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 

















Segundo nossa interlocutora a APBC-R1, destaca que

Eles trabalham de crianças até adolescentes, eles têm aulas, eles fornecem aulas e quando tem alguma atividade em específico, como por exemplo o Dia das Crianças, vamos propor algumas atividades em conjunto então a gente faz essa atuação conjunta. Mas eles são bem específicos, eles têm o espaço onde eles dão aulas com as crianças e a gente faz as nossas ações em separado, algumas atividades a gente faz em conjunto, mas eles já têm um cronograma fixo de atividades que eles precisam cumprir (APBC-R1, 2023).
 
Cabe destacar que o Instituto Pirilampos atua nos 5 abrigos investigados e apresenta uma estrutura distinta e independente dos abrigos. O projeto Mi Casa su Casa[6] (projetos de leitura, arrecadação de livros e criação de bibliotecas) está presente em no Abrigo Rondon 1 (2021), nos abrigos do Pricumã (2022) e no ano de 2023 foi instalada uma biblioteca no abrigo Jardim Floresta.
Ainda, nos abrigos indígenas temos os projetos voltados para o Artesanato indígena (missangas e artefatos de palha de buriti).
Ao que cabe às ações culturais/artísticas, evidenciamos que nos abrigos indígenas não há projetos recorrentes/estruturados embora a  APBC – WT destaque que “Tem interesse grande na comunidade pela parte artística”.
O que vemos sim, é uma parceria dos dois abrigos indígenas com A Casa Museu do Objeto Brasileiro, que oferece treinamentos para produção de artesanatos. “O crescimento do projeto possibilitou que mais de 60 novos artesãos fossem incluídos no projeto, agora participando de atividades de educação financeira e criação de associações de artesãos com o Serviço Jesuíta a Migrantes e Refugiados e outros parceiros locais” (Sibahi, 2023). O APBC-JF destaca que a parceria é feita com os indígenas Warao, mas já está sendo formalizada uma parceria para o desenvolvimento do artesanato dos Eñepá.
 
Os Eñepá eles trabalham mais com bijuteria, colar, pulseira, chaveiro, trabalham com madeira, arco, flexa. Isso é mais que tudo feito por eles. Trabalham com sementes, eles furam. E na questão da autonomia, nas técnicas de venda, os Eñepá são mais independentes. Eles se mobilizam muito, se deslocam muito para venda, eles vão para Lethen, para Pacaraima (APBC- JF,2023).
 
 
Esta autonomia dos Eñepá faz com que eles consigam se mobilizar em sua produção e venda, mas também contam com o apoio, parceria e a formação para a produção artesanal do
Centro Cultural e de Formação Indígena (CCFI) coordenado pela Fraternidade – Federação Humanitária Internacional (FFHI) em parceria com a Operação Acolhida. O CCFI “tem como objetivo promover um espaço seguro e pacífico no qual indígenas migrantes e refugiados e indígenas de etnias locais tenham a oportunidade de construir uma vida mais digna” (CCFI, 2023). O CCFI é um local específico, fora dos abrigos, localizado nas proximidades do abrigo Jardim Floresta, mas que atende a população indígena e busca fazer formação para o trabalho artesanal e cultural.
Já nos demais abrigos, evidenciamos projetos artísticos/culturais que são desenvolvidos e são apresentados no Dia da Comunidade, um dia especial para confraternização e apresentação dos trabalhos artísticos para a comunidade do abrigo. Pudemos participar em um destes dias no abrigo Pricumã onde o evento foi chamado de Mormaço Cultural do Abrigo Pricumã – outubro de 2023. O nome Mormaço se refere também ao evento que a prefeitura municipal estava programando na mesma semana com atrações nacionais no Parque do Rio Branco servindo assim, de uma réplica realizada pelos abrigados referendando uma atração municipal. Neste dia estavam expostas algumas obras/pinturas de um dos pintores do abrigo e foi realizada a apresentação de música coordenada pelo APBC-P. Percebemos que este evento é uma forma de integração da comunidade que os sujeitos se reúnem no espaço de confraternização, geralmente é o mesmo lugar que o refeitório.  Para este dia acontecer, várias ações de artes/cultura são mobilizadas pelos Comitês e, em especial o Comitê Cultural. Assim, podemos destacar que nos 5 abrigos investigados temos ações como a Oficina de Dança (bailoterapia), Oficina de material reciclável, Transformers – dança e música, Oficina de Pintura e Cinema, que são desenvolvidos pelos membros do Comitê Cultural e ainda, os projetos de material reciclável e Oficina de música que são coordenados pelos APBC.
No abrigo Rondon 1, temos a Oficina de Dança (bailoterapia) que é realizada por um morador dançarino venezuelano. Cabe destacar, que esses projetos são operacionalizados a partir de uma parceria dos APBC junto com a comunidade.
 
Como atuamos nessa questão da Base Comunitária, a gente tem, entre aspas “um poder” de criar projetos. Então, [...] a gente consegue realmente ver temáticas e elaborar um projeto e a gente consegue apresentar para o Comitê que a gente corresponde. É que nem esse projeto desse instrutor de dança, ele já tinha essa bagagem então ele fazia isso na Venezuela e ele elaborou um projeto que se chama “bailoterapia”. Então a gente escreve o projeto, apresenta e com apoio a gente consegue executar. Como a gente tem essa pegada com a comunidade a gente consegue notar uma falta de atividade nesse ramo. Então a gente tem esse poder de fazer um projeto e executá-lo. Como são projetos “pequenos” a gente consegue executar (APBC-R1, 2023).
 
Este projeto, assim como muitos que são executados pelo Comitê de Cultura são voltados para a comunidade toda, não tendo, necessariamente, uma especificação de faixa etária ou público, exceto questões pontuais como a proposta que está sendo pensada por este mesmo instrutor da dança
 
Inclusive, esse mesmo instrutor de bailoterapia, ele está com uma proposta de fazer, junto com o grupo de grávidas, uma série de atividades. Então ele vai fazer seção de Yoga, ele vai fazer pinturas nas barrigas delas, canções de interação com as mães. Eles veem a necessidade e trazem propostas para a gente e ver se é viável ou não é viável e apoia nas demandas que eles trazem (APBC-R1, 2023).
 
Neste cenário, vemos que há um incentivo dos APBC, contudo, quem realiza e quem coordena as ações da dança (bailoterapia) é o dançarino. Percebemos assim, o papel de protagonista deste migrante onde, segundo Gomes (2019, p. 13) podemos destacar que o “Ser protagonista implica na tomada de posição de sujeito social ativo, que age e reage com e em relação ao outro (presente ou não na cena da ação)” identificando possibilidades e aberturas de atuação e apoio à comunidade interna aos abrigos.
No abrigo Rondon 5 vemos a mesma proposta de protagonismo dos moradores, contudo a APBC-R5 destaca que, por ser um abrigo de passagem, muitas das ações acabam durando pouco tempo assim, ela acaba coordenando algumas para ter um fluxo contínuo. As Oficinas de Material reciclável são oferecidas pela APBC-R5 e ela nos coloca que
 
Temos as oficinas de material reciclável que nós mesmo que fazemos com adolescentes e adultos, nós mesmos da AVSI. Com os adolescentes no projeto Transformers, a gente trabalha dança. Alguma pessoa da comunidade que saiba, a gente vai e ensina para os adolescentes. A gente trabalha música, tem   professora de música e ela ensina para eles. A gente faz alguns corais também para eles já irem pegando o jeito da música e depois fazerem a apresentação. A gente trabalhou também nesse mês, Fotografia. Um curso de fotografia que foi feito pela AVSI pela menina que é encarregada da Rádio- a voz dos refugiados. Ela veio ensinar para eles como trabalhar com a fotografia. Ela veio ensinar também, como faz o negócio da rádio, que pertence ao Comitê da rádio, aí tem que ensinar e dar todo aquele como fazer, roteiro, todas essas coisas (APBC-R5, 2023).
 
Ao que se refere à execução de projetos por sujeitos externos, a APBC-R5 destaca também que
 
Sim, temos parceiros. Dependendo da situação, o tema, nós contamos com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), temos a “Ela pode” que vem fazer cursos de empreendedorismo feminino. Ai quando a gente monta essa turma a gente contata a ACNUR, pede autorização das pessoas e na data ela vem faz o curso, entrega o certificado (APBC-R5, 2023).
 
Fica claro assim, que todo projeto externo executado nos abrigos precisa de autorização superior passando pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, ACNUR e AVSI ou Fraternidade sem Fronteiras, até chegar aos abrigos.
No abrigo do Pricumã, foi onde identificamos um maior número de ações e envolvimento com o trabalho com cultura/arte e foi onde realizamos um acompanhamento maior das ações. A Oficina de Pintura é realizada por um casal de artistas venezuelanos que, após 7 meses de moradia no abrigo conseguiram promover um projeto para trabalhar com pintura. A ação é realizada 3 vezes por semana e aberta para o público em geral, contudo, quem mais participa são crianças e jovens de 4 a 18 anos.
O artista destaca que o trabalho com a pintura é um espaço de ajuda psicológica para a criança.
 
Es lamentable, la vinda de la gente para acá, para Perú, para otros países, ha sido traumático. Los niños más están confundidos. Cuando llegan en la carpa, el problema es mayor. Estamos haciendo una comparación con la carpita acá ellos vienen y nos llaman, profesor, profesor. En una comparación, ellos están metidos en una burbuja e en esta burbuja hay un rato de felicidad. Aquí ellos se sienten acollidos, ellos se quedan aquí escuchando. Pero esto es una hora, dos horas, pero son 12, 14 horas en el problema. Esto es como una cura (Artista-P, 2023).
 
No acompanhamento das ações desenvolvidas por eles no abrigo, percebemos que eles partem de uma proposta de aprendizado da técnica da pintura, mas também e principalmente, de um acompanhamento das crianças.
 
Primeramente, nosotros hicimos una simples prueba que hago una raya y le digo, en esta raya que ello haga o que venga en su mente. Y dependiendo do que el hace yo hago un balance que le pueda tener una oportunidad. No tenemos tiempo para aceptarnos a todos. Primeramente, hay que hacer una prueba, una prueba rápida. Esto es muy importante, las colores, la perspectiva (Artista-P, 2023).
 
 
Esta ação é necessária para a proposta que o casal desenvolve a fim de “filtrar” algumas crianças tendo em vista que a demanda é muito grande dentro do abrigo.
Outra ação realizada é a Oficina de música que é feita no turno noturno e coordenada pelo APBC-P que desenvolve atividades de coral, violão e percussão. No dia da Comunidade que participamos pudemos verificar a apresentação das crianças e adolescentes. Eles são incentivados ao trabalho com músicas venezuelanas e brasileiras buscando a integração cultural.
Já a atividade do Cinema é uma ação desenvolvida pelo Comitê de entretenimento. Segundo a GP-P
 
Tem o cinema de noite, os filmes são de acordo com o que a comunidade vai pedindo, hoje o foco para os idosos, eles procuram filmes para os idosos ou que deem uma esperança, tipo seção da tarde, só que é de noite que acontece o Cinema (GP-P, 2023).
 
Estas ações fazem parte da integração comunitária e dão visibilidade para as demandas da comunidade dos abrigos assim como, dão maior leveza ao trabalho desenvolvido pelos APBC que atuam em várias frentes nos abrigos.
 
Considerações finais
Com o objetivo de Compreender como a Cultural Organizacional se relaciona com as metodologias de ensino/aprendizagem artística desenvolvidas nos abrigos de imigrantes/refugiados em Boa Vista - Roraima/Brasil, na primeira etapa desta investigação, pautada na entrevista com os coordenadores/representantes de 5 abrigos em Boa Vista/RR, evidenciamos que há uma cultura organizacional planejada para o protagonismo da comunidade que vive no abrigo e que é feita a partir dos Comitês e dos Grupos focais.
As ações culturais/artísticas ficam à cargo do Comitê de Cultura que é composta por um APBC e pela comunidade do abrigo. Assim, as ações surgem a partir da demanda da comunidade e são mobilizadas por moradores que apresentem conhecimento sobre. Ao longo da investigação compreendemos que a cultura organizacional do abrigo proporciona uma mobilização distinta que requer a interação com os sujeitos da comunidade. Isso, pois há um fluxo bastante grande de entrada e saída de pessoas nos abrigos e isso faz com que a cada período novas ações passem a ser mobilizadas. Com isso, percebemos que há um protagonismo e uma valorização dos saberes culturais/artísticos da comunidade, contudo pela constante rotatividade, pouco se consegue de aprofundamento e/ou continuidade.
 
 

Notas de la ponencia:

[1] Disponível em: https://www.ibge.gov.br/cidades-e-estados/rr.html> , acesso em: 22 de jun. de 2022

[2] https://www.avsibrasil.org.br/projeto/centros-de-abrigod-e-assistencia-multisetoria-de-venezuelanos/

[3] https://www.fraternidadesemfronteiras.org.br/fsf/

[4] https://institutopirilampos.org.br/

[5] A identificação dos sujeitos participantes ser dará pela abreviação de suas funções e do abrigo que trabalham. Assim, Assistente de Proteção de Base Comunitária (APBC); Gestão de Proteção (GP) e Coordenador (C).

[6] https://conteudo.jornaljoca.com.br/mi-casa#rd-section-kn7v9fyk

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