Os fundadores do Santo Daime, o piauiense Germano Guilherme

SP.14: Etnografiar la transformación: géneros, patrimonios y rituales en Latinoamérica

Ponentes

Nombre Pertenencia Institucional
Theresa Jaynna de Sousa Feijão CORPOSTRANS-UFPI
Francisca Verônica Cavalcante Universidade Federal do Piauí

Introdução

O Santo Daime é uma religião brasileira, oriunda da Amazônia, que tem como fundador e primeiros seguidores migrantes nordestinos que chegaram à Amazônia no início dos anos de 1910 impulsionados pelo ciclo econômico da borracha.

Destaca-se a presença e participação  dos nordestinos no ethos cultural daimista, visto que além do Mestre Irineu, seu fundador, três dos seus quatro companheiros (aqueles que juntamente com o Mestre receberam os hinários que compõem a liturgia basilar da doutrina), a exceção é Maria Damião que é paraense, todos os outros três são nordestinos: Germano Guilherme do PI, Antônio Gomes e João Pereira, cearenses.  Outros nordestinos destacam-se na história da doutrina daimista como Madrinha Rita, esposa do Padrinho Sebastião, e seus irmãos que são do Rio Grande do Norte, e o Vô Corrente (Manoel Corrente), mais um piauiense, de Corrente (PI) que foi contemporâneo do Mestre, mas seguiu com o Pd. Sebastião quando este retirou-se do Alto Santo para a Colônia Cinco Mil.  

Os fundadores do Santo Daime, o piauiense Germano Guilherme tem por objetivo compreender a contribuição de Germano Guilherme para a criação do santo daime e a possível relação com a cultura religiosa piauiense. A problematização sobre a cultura religiosa do santo daime se ancora no argumento desta ser uma doutrina musical nascida no Acre, no ciclo da borracha e difundida nos centros urbanos brasileiros, uma cultura do autoconhecimento, da defesa da preservação da natureza, da fruição de experiências místicas. O santo daime se alastra por cidades brasileiras a partir dos anos 1980, por meio de ideias da contracultura, do movimento hippie, do chamado movimento da Nova Era, acentuando o seu crescimento nos anos 1990, os daimistas, na sua maioria jovens pertencentes à classe média, intelectualizada e interessada em ter uma relação homem-natureza-cultura diferenciada da visão positivista, iluminista e racionalista.

A relação de imanência com a natureza caracteriza o/a fuidor/a.  Consagra o vinho das almas (auyaska) na busca da “miração”, categoria êmica que pode ser compreendida como autoconhecimento, ensinamentos, experiências místicas. Quais as raízes religiosas que sustentam a egrégora do santo daime? Umbana, xamanismo, tambor de criola e tradição católica estão presentes nas suas crenças e ritos. Que relação a “miração” guarda com a cultura religiosa dos seus fundadores? Qual a contribuição do piauiense Germano Guilherme para a criação da religião santo daime? O diálogo teórico com autores clássicos e contemporâneos da antropologia e sociologia da religião serão utilizados, dentre eles o conceito de efervescência (DURKHEIM, 1996), de troca, dádiva, magia, fato social total para (MAUSS,2003) de self-service religioso, de sincretismo em movimento (AMARAL, 2000), dentre outros e o recolhimento de dados biográficos de Germano Guilherme, Antônio Gomes, João Pereira, Mestre Irineu e Padrinho Sebastião.

Serão realizados por meio de pesquisa documental, observação participante em rituais do santo daime realizados em igrejas do Piauí, interlocução a partir de entrevista em profundidade com lideranças religiosas daimistas comporão esta etnografia que se propõe a fazer uma imersão na trajetória de vida de seus fundadores e nas crenças e ritos do santo daime com vistas a compreender a contribuição de Germano Guilherme para a criação do santo daime e a possível relação com a cultura religiosa piauiense.

Subdividimos este trabalho em quatro partes:

A primeira é a presente Introdução que comunica a organização das páginas que seguem nesta comunicação.

A segunda traz o título: Santo Daime, Nova Era, efervescência e a busca de si. Nesta parte, descrevemos de forma sucinta alguns dados históricos e determinados preceitos da doutrina do santo daime; abordamos o fenômeno da New Age - Nova Era e o contexto em que este favorece a expansão da doutrina santo daime no Brasil; enfocamos a busca por autoconhecimento e experiência mística como características da doutrina santo daime e nos servimos do conceito de efervescência de E. Durkheim para explicar as experiências místicas dos daimistas e a categoria êmica “miração”.

 A terceira parte é intitulada: Raízes religiosas que sustentam a égregora do Santo Daime. Abordamos as tradições que fazem parte da doutrina santo daime: umbanda, xamanismo, tambor de criola e tradição católica e Defendemos que as tradições que fazem parte da doutrina santo daime parecem que, em cada Igreja daimista há na doutrina santo daime um protagonismo que está intimamente relacionado com as tradições religiosas de origem de seus adeptos.

A quarta e última parte traz o título: Dados biográficos de Germano Guilherme. Neste subitem nos debruçamos sobre um site mantido pelos adeptos da doutrina e constatamos a escassez de informações sobre Germano Guilherme, um dos fundadores da doutrina santo daime.

Esta investigação encontra-se em andamento e os passos seguintes serão: observação participante em rituais do santo daime na cidade de Teresina, entrevistas, pesquisa documental e análise de dados recolhido em diálogo com as referências clássicas e contemporâneas das ciências sociais que abordam as temáticas em questão.

Santo Daime, Nova Era, efervescência e a busca de si

A doutrina do santo daime surgiu no século XX, seu desenvolvimento está relacionado ao processo cultural e social da Amazônia e do Brasil, uma doutrina musical nascida no Acre, no ciclo da borracha e difundida nos centros urbanos brasileiros. Os fundadores são: Mestre Raimundo Irineu Serra, um maranhense que teve como companheiros nesse primeiro momento, para engendrar a doutrina, o piauiense Germano Guilherme, para quem voltamos nossa atenção nas linhas seguintes, e outros companheiros, a saber - Antônio Gomes, João Pereira e Maria Damião. Posteriormente, aqueles que ficaram conhecidos como os “discípulos do mestre” ajudaram a difundir a doutrina, dentre eles, destacamos: Padrinho Sebastião, Madrinha Rita, Padrinho Alfredo, Padrinho Valdete, dentre outros.  Vale ressaltar que esta doutrina é caracterizada por uma cultura do autoconhecimento, da defesa da preservação da natureza, da fruição de experiências místicas. A doutrina e o culto ao “vinho das almas”, como é chamado por seus adeptos, pelo uso sacramental que fazem da ayahuasca em seus rituais, ao longo desses anos, tem crescido, expandindo-se para muitos estados brasileiros e para outros países, especialmente, com o advento da Nova Era a partir dos anos 1970.

A New Age não é uma religião, seu aparecimento é um fenômeno que se dá nos Estados Unidos a partir dos anos 1970 e 1971, protagonizado por estratos médios e médios altos dessa sociedade. Pode-se sugerir que a característica principal de seus simpatizantes está relacionada a um “grande apetite espiritual”, que apresenta em concomitância a uma contraposição ao domínio eclesiástico, marcado por um discurso que denuncia a falência da Igreja, isto é, do Cristianismo. A partir dessa crise de significados plasmou-se entre esses estratos norte-americanos um “conjunto coerente de símbolos” que poderia ser definido como uma convergência das religiões orientais e místicas que se amalgamavam ao pensamento ocidental.

A New Age passa a ser conhecida no Brasil como Nova Era uma vez que, a exploração da referida temática pelos meios de comunicação de massa, faz com que o fenômeno New Age  passe a assumir algumas características próprias dos produtos de massa. Observa-se diversos diálogos entre tradições religiosas, misticismos, filosofias, psicologias e artes. Se nos anos 1970, para os Estados Unidos e Europa, a forma de organização característica e hegemônica do movimento New Age  se deram a partir das “Comunidades Alternativas” e “Grupos de Luz”, nos anos 1980, os meass media imprimem transformações profundas nos projetos operacionais New Age fazendo com queas experiências de seus fruidores deixem de ser vividas somente em “românticas comunidades” para atuar também e principalmente nos centros urbanos, configurando uma explosão de espaços holísticos, onde são comercializados produtos e serviços e são oferecidos rituais, alcançando parte significativa do planeta através da tecnologia rápida, eficaz e barata: internet.

Parte significativa dos estratos médios e altos da sociedade brasileira vivenciou o movimento da contracultura, o movimento hippie, a busca de liberdade e de viver uma vida comunitária, inspirados pela ideologia romântica e de não autoritarismo e dogmatismo. Nesse contexto social, político e cultural brasileiro surgiram movimentos como a tropicália, o fortalecimento e criação de partidos de esquerda, a valorização das religiões afro-brasileiras, do xamanismo dos indígenas da região Centro-Oeste do país, o surgimentos das faculdades de psicologia favorecendo aos estratos médios e altos, em especial, a juventude universitária dos grande centros urbanos como São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e posteriormente, as cidades de porte médio como São Luís, Fortaleza e Teresina, dentre outras, a apresentarem vários fruidores novaeristas que serviram de base para o surgimento dos Novos Movimentos Religiosos (NMRs): santo daime, vale do amanhecer, união do vegetal, dentre outras.

A vivência espiritual de adeptos do santo daime é uma experiência que toma como ensinamento fundamental a iniciação como xamã do fundador Mestre Raimundo Irineu Serra, quando este, na selva fronteiriça entre o Brasil e o Peru é posto em contato com o mundo sobrenatural, “buscando influir na cura de doenças, servir de oráculo, proporcionar bons resultados em caçadas, evitar catástrofes naturais e organizar cerimônias religiosas”(Macrae, 1982,p.28). Os daimistas, quando fazem a ingestão do enteógeno “vinho das almas”, cantam e bailam e referem-se à categoria êmica “miração” para expressarem suas experiências que podem ser compreendidas a partir do conceito de efevescência de Durkheim:

“[...] efervescência que muda as condições das atividades psíquicas. As energias vitais são superexcitadas, as paixões ficam mais intensas, as sensações mais fortes; há algumas inclusive que se produzem nesse momento. O homem não se reconhece; sente-se como que transformado e, em consequência transforma o meio que o cerca” (Durkheim, 2000,466)

É importante destacar que, desde o ressurgimento das práticas pagãs ou neopagãs ditas novaeristas, do surgimento de NMRs como o santo daime e da expansão de tais culturas espirituais no Brasil, em um primeiro momento para as metrópoles e posteriormente para cidades médias e pequenas, dos anos 1970 aos dias atuais observamos a relação intrínseca dessas experiências com a religião de origem de seus fundadores, adeptos e fruidores. O autoconhecimento, a preservação da natureza, a experiência mística e o fenômeno da efervescência são os alvos almejados.  

Raízes religiosas que sustentam a égregora do Santo Daime

Raimundo Irineu Serra, maranhense de São Vicente Ferrer, afrobrasileiro de grande estatura, neto de ex escravizados, semi analfabeto, saiu do Maranhão para trabalhar nos seringais acreanos por volta de 1912; em Rio Branco alistou-se na Guarda territorial, integrando, posteriormente, a Comissão de Limites, nas fronteiras entre Brasil, Bolívia e Peru, comandada pelo Marechal Rondon. É nesse contexto que Mestre Irineu, como passou a ser conhecido, entra em contato com a bebida indígena ayahuasca, rebatizada por ele de Santo Daime. Irineu Serra ao comungar a bebida, recebe uma revelação divina da própria Virgem Soberana Mãe, cristianiza e ritualiza o uso da bebida indígena ancestral, fundando uma nova religião brasileira, uma doutrina musical: seus ensinamentos são transmitidos através de hinos que são louvores canalizados espiritualmente e que trazem mensagens de amor, fé e auto regeneração, mesclando, assim,  simbolismos cristãos, conhecimentos ancestrais indígenas e africanos.

Para os adeptos do santo daime estão presentes nas suas crenças e ritos as seguintes tradições: umbanda, xamanismo, tambor de criola e tradição católica. O site do Centro de documentação e Memória- ICEFLU - Patrono Sebastião Mota de Melo, afirma:  

 

“A Doutrina do Santo Daime, segundo nossos estatutos, é uma prática religiosa cristã, ecumênica, que repudia toda forma de fanatismo, sectarismo, racismo e intolerância religiosa. Através de suas condutas os seguidores têm provado que a ingestão ritualística do Santo Daime no contexto religioso, ao lado da prática social decorrente da doutrina, amplia nossa capacidade perceptiva, criativa, cognitiva e de discernimento, além de ajudar a assumir nossas responsabilidades pessoais e coletivas. Constitui-se, portanto, em um agente profilático e terapêutico a serviço da elevação da consciência do ser humano”.

Defendemos que as tradições que fazem parte da doutrina santo daime parecem que, em cada Igreja daimista há na doutrina santo daime um protagonismo que está intimamente relacionado com as tradições religiosas de origem de seus adeptos.

 

Germano Guilherme



Germano Guilherme foi o primeiro dos quatro companheiros do Mestre Irineu Serra, ou seja, é um dos pilares da Doutrina do Santo Daime. Assim como Mestre Irineu, era negro. Nasceu em 28 de maio de 1902, em São João do Piauí, no Estado Piauí, de onde migrou ainda menino, com sua família para o Território do Acre passando a trabalhar nas colônias, como seringueiro e agricultor.

 Conheceu Raimundo Irineu Serra em 1928, quando ambos serviam na Guarda Territorial em Rio Branco, e tornaram-se grandes amigos – entre si chamavam-se de “maninho”. Germano conheceu a bebida sagrada pelas mãos de Irineu. Nos dias de folga, se embrenhavam na floresta para tomar a ayahuasca e foi, portanto, o primeiro seguidor de Irineu e o acompanhou, desde os tempos em que moravam na Vila Ivonete, até a mudança para o Alto Santo.

 

Foi o precursor do uso de hinos como fio condutor da Doutrina do Santo Daime, uma vez que, em 1934, recebeu e cantou o primeiro hino da história daimista (o Mestre recebera um hino quando teve a visão de “Clara”, mas ainda não o havia apresentado). Por ordem do Mestre, o hinário de seu Germano Guilherme “Sois Baliza”, é cantado tradicionalmente, antes do hinário“O Cruzeiro” na sede da igreja no Alto Santo.


Maninho tornou-se um respeitado maestro desta religião brasileira que, ensejada pelo processo de transnacionalização, hoje é conhecida em mais de quarenta e três países, e em todos os continentes habitados (ASSIS, LABATE,2014) porém ainda pouco conhecido por seus conterrâneos.

No Piauí, estado do primeiro seguidor de Mestre Irineu, a doutrina do Santo Daime chega no início dos anos 2000 trazido pelo artista plástico Abraão Honório Cavalcante e inaugura sua primeira igreja o Céu de Todos os Santos (CTS) no ano de 2005 em Teresina, expandindo-se pela centro-norte do estado, nas cidades de Parnaíba, Luís Correia e Altos.

Editado a partir do artigo de Rodrigo Borges Conti Tavares - http://www.afamiliajuramidam.org


Germano Guilherme é um dos protagonistas da doutrina, se hoje a conhecemos o santo daime como uma doutrina musical isso se deve, em parte, a sua figura; ele é considerado o precursor do uso de hinos na referida doutrina, haja vista que, em 1934, por ocasião de uma “miração” após ingestão do vinho das almas ele recebeu e cantou o primeiro hino de nossa história (o Mestre recebera um hino quando teve a visão de “Clara”, mas ainda não o havia apresentado). Por ordem do Mestre, seu hinário “Sois Baliza”, é cantado tradicionalmente, antes do hinário “O Cruzeiro”.

Divino Pai Eterno
O seu mundo veio e formou
O seu mundo veio e formou
E habitou
E habitou
Com toda criação
Com toda criação
Com vosso amor

Em 1943, Germano Guilherme casou-se com Cecília Gomes, vinte e seis anos mais jovem que ele e filha de Maria de Nazaré e Antônio Gomes (um outro companheiro de Mestre Irineu), contudo, não tiveram filhos. Cecília Gomes tivera um filho quando ainda adolescente, de uma relação com José das Neves, que foi adotado pelo Mestre Irineu e sua esposa D. Raimunda. O menino ganhou o mesmo nome de um tio paterno do Mestre, Paulo d´Assunção Serra.  Nas palavras de Cecília Gomes:

  “Assim era o padrinho Irineu. Para mim, ele era tudo, meu pai, meu Mestre, meu padrinho. Ele me criou, morei muitos anos na casa dele (...). Depois, me casei com o Germano, com a orientação dele. Eu tinha dezesseis anos e o Germano quarenta e dois. Mas o padrinho Irineu viu que aquele casamento ia ser bom para nós. Então, nós casamos (...), sempre seguindo a orientação dele.”

 Sobre a importância de Germano Guilherme encontra-se no site do Centro de documentação e Memória- ICEFLU - Patrono Sebastião Mota de Melo:  

“Relatos de contemporâneos são unânimes em descrevê-lo como de uma pessoa zelosa, até mesmo rigorosa, companheira e muito firme em seu trabalho. Era conhecido pela sua retidão e firmeza. Nos trabalhos de Daime ele era respeitado por ser um excelente cantor e um maestro no uso do maracá, fazendo questão de marcar pessoalmente o compasso e a condução de seu hinário. Teófilo Maia comenta que cantar seus hinos era um acontecimento na comunidade. Conta-se que não gostava que seus hinos fossem cantados fora da igreja ou dos trabalhos espirituais”.


Sobre as suas qualidades, caráter e ensinamentos encontram-se no site referido no parágrafo anterior:

“Ilustrando seu caráter, conta-se uma história de que um dia estava Germano em sua casa quando um jovem passou e pediu a ele duas laranjas de uma laranjeira carregada, o que ele prontamente consentiu. Só que o jovem tirou várias laranjas e as colocou em um saco. Quando se retirava agradecendo, Germano o chamou de volta e disse: "Você me pediu duas, portanto derrame o saco e tire as duas que me pediu.” Assim foi feito e o rapaz foi saindo meio encabulado. Aí ele o chamou novamente e o rapaz, já com medo, ficou parado. Então, Germano falou: “Agora junte o resto e leve que eu estou lhe dando, e aprenda a pedir para poder receber.” Por essas e outras, ganhou o apelido de “buraco”. Este fato foi contado pelo Sr. Paulo Serra, que vivia com ele e a mãe, D. Cecília, e foi testemunha ocular”.

Ainda é a partir dos registros do site no site do Centro de documentação e Memória- ICEFLU - Patrono Sebastião Mota de Melo que encontramos:

“Guilherme Germano tinha uma ferida na perna, que não sarava, ao contrário, foi piorando com tempo, à ponto de, no final da vida, deixá-lo de cadeira de rodas. Ele creditava esse sofrimento à uma outra encarnação, em que fora um cruel senhor de escravos – dizia que era uma sentença. Germano Guilherme foi o último dos quatro Companheiros a fazer a passagem, em 1964. Tinha 62 anos”.

 Imersão na trajetória de vida dos fundadores do Santo daime: o piauiense Germano Guilherme

Constatamos a escassez de informações sobre Germano Guilherme, um dos fundadores da doutrina santo daime. Esta investigação encontra-se em andamento e os passos seguintes serão: observação participante em rituais do santo daime na cidade de Teresina, entrevistas, pesquisa documental e análise de dados recolhido em diálogo com as referências clássicas e contemporâneas das ciências sociais que abordam as temáticas aqui propostas.

Bibliografía de la ponencia

ASSIS, G.L; LABATE, B, C. Dos igarapés da Amazônia para o outro lado do Atlântico: a expansão e internacionalização do Santo Daime no contexto religioso global. Relig. soc. vol.34 no.2 Rio de Janeiro jul./dez. 2014.


CAVALCANTE, Francisca Verônica. Os tribalistas da nova era. Teresina: Fundação Quixote, 2009.

CAVALCANTE, Francisca Verônica. Religiosidades e juventudes em Teresina. In: CAVALCANTE, Francisca Verônica et al.(orgs.). A condição Juvenil em Teresina. Teresina: EDUFPI, 2013.

CAVALCANTE, Francisca Verônica et al . Paganismo nas regiões Norte e Nordeste do Brasil: quando a magia é o recurso para o conhecimento e a sabedoria no Piauí e no Amapá. In: CAVALCANTE, Francisca Verônica et al (orgs.). Dossiê Paganismo, laicidade e Intolerância religiosa.PRACS: Revista Eletrônica de Humanidades do Curso de Ciências Sociais da UNIFAP HTTPS://periodicos.unifap.br/index.php/pracs ISBN 1984-4352, Macapá, v.15, n.3, p.1-22

DURKHEIM, Emile. As formas elementares da vida religiosa: o sistema totêmico na Austrália.São Paulo: Martins Fontes, 2000.


FEIJÃO, T.J.S. Gira Gira Criancinha: aprendizado da religião santo daime por crianças frequentadoras do espaço Céu de Todos os Santos em Teresina – PI - Brasil. Dissertação Mestrado. Universidade Federal do Piauí, Teresina, 2015.


MACRAE, Edward. Guiado pela lua: xamanismo e uso ritual da ayahuasca no culto do santo daime. São Paulo: Brasiliense, 1992.

site do Centro de documentação e Memória- ICEFLU - Patrono Sebastião Mota de Melo https://www.santodaime.org/site/religiao-da-floresta/companheiros/guilherme-germano (Data de acesso: 14/02/2024)