Mito ou filosofia? Intelectuais indígenas e a crítica do pensamento ameríndio às hierarquias da linguagem ocidental

SP.52: Caminos de Abya Yala: Intelectuales indígenas, movimientos etnopolíticos y propuestas desde el continente americano para un mundo en devenir

Ponentes

Nombre Pertenencia Institucional
Marcos Gabriel Pita da Costa Universidade do Estado do Rio de Janeiro

(nota pie 1)


Introdução

O espaço hoje ocupado pela Aldeia Marak’ana, na rua Mata Machado, n.126, no bairro do Maracanã (RJ), já foi um território indígena antes da invasão dos europeus. Atualmente, representa para os indígenas um espaço de memória, de resistência e de história. Sendo assim, buscaremos dar destaque ao papel político da Aldeia Marak’ana como centro de resistência indígena na cidade do Rio de Janeiro. Um dos pilares dessa comunicação se fundamenta no desejo de pesquisar sobre a Aldeia Marak’ana a partir de uma construção conjunta com os indígenas que ocupam esse espaço. Inclusive, existe uma cobrança feita por alguns deles, como o cacique Urutau, uma das principais lideranças da etnia Guajajara, para que os discentes e docentes dos mais variados cursos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) se integrem às atividades realizadas na Aldeia. 

Dessa forma, temos como objetivo central formular nossa pesquisa conjuntamente com os indígenas da Aldeia Marak’ana, para que possamos construir um diálogo intercivilizacional entre o meio acadêmico e seus saberes ocidentais e o mundo indígena e seus saberes próprios, muitas vezes silenciados e subalternizados pelas universidades. Segundo Eduardo Natalino dos Santos, a História Indígena, campo interdisciplinar que busca inserir os saberes indígenas e suas lutas políticas nas pesquisas históricas, ainda carece desse diálogo intercivilizacional:

Mas, além desse potencial interdisciplinar, tais pesquisas possuem também um imenso potencial para produzir diálogos intercivilizacionais, o que pode se realizar por meio do estudo das fontes históricas indígenas pré-hispânicas e coloniais, mas que precisa se construir especialmente por meio da interlocução com as populações, lideranças e pensadoras(es) indígenas atuais. Esse é o grande desafio imediato na agenda política e científica das pesquisas acadêmicas que pretendem produzir histórias sobre os indígenas: entabular diálogos equilibrados, justos e simétricos que permitam o contato e a compreensão das histórias produzidas pelos indígenas no interior de Estados-Nações e meios sociais que têm lhes oferecido, sistematicamente, um tratamento sociopolítico violento e injusto. (DOS SANTOS,, 2023, p.47)


Sendo assim, enquanto historiadores, devemos nos esforçar para não cair no equívoco de tratar como simples objeto de pesquisa os  grupos de indígenas com os quais  estamos trabalhando, mas sim fazer verdadeiramente um esforço para construir nossas pesquisas conjuntamente com esses indígenas e, por consequência, conseguir, como diz Eduardo Natalino “(...) compreender suas perspectivas, ou seja, suas concepções políticas, projetos, concepções de passado presente-futuro e suas cosmologias (...)” (DOS SANTOS, 2023, p.45).


História da Aldeia Marak’ana 

Em primeiro lugar, devemos ressaltar que a Aldeia Marak’ana já consistia em um território indígena muito antes da chegada dos europeus. Com o processo da colonização da América portuguesa, a presença indígena foi se tornando cada vez menos frequente na Aldeia Marak’ana e a região passou a ser utilizada pelos grandes engenhos de açúcar no período do Brasil colonial. Ademais, essa área foi apropriada por uma associação de membros da elite aficionados por cavalos que, no século XIX, utilizou o espaço para erguer um Derby Club, no local que hoje está o estádio de futebol Maracanã, conhecido por ser um dos maiores do Brasil naquele contexto (imagem 1). 

Após 1889, com o advento da República, o terreno foi apropriado pelo Ministério da Agricultura, Indústria e Comércio e foi criado um centro dedicado à pesquisa e cultivo de plantas das florestas, o qual se valia de muitos conhecimentos tradicionais dos indígenas. Passados alguns anos, o antropólogo Darcy Ribeiro, em 1953, propôs o primeiro Museu do Índio na América Latina que foi, inclusive, reconhecido pela Unesco como um projeto “inovador” e original para a época” (imagem 2). O Museu do Índio efetivamente foi construído pelo Estado, mas posteriormente, devido a uma proposta de construção de uma estação do metrô nesse território, foi abandonado e levado para Botafogo, em um espaço menor e com menos investimentos (GUAJAJARA, P., GUAJAJARA, U., OTOMORINHORI’Õ, X., MUNDURUKU, L., ICÓ, L., 2023). Dessa forma, esse espaço da Aldeia Marak’ana ficou abandonado de 1978, momento que ocorreu a transferência do Museu do Índio, até o começo dos anos 2000, marcado por um aumento significativo das movimentações indígenas nessa área. 

No começo do século, alguns indígenas ocuparam esse local, por reivindicarem a ancestralidade desse território e compreenderem o espaço da Aldeia Marak’ana como um lugar fundamental na preservação da cultura indígena. Entretanto, eles foram retirados de maneira brutal pelo Estado para a realização dos grandes eventos como a Copa do Mundo FIFA de 2014 e as Olimpíadas de 2016, que interessavam diretamente aos desejos da burguesia nacional. Apesar dos ataques do Estado, os indígenas voltaram a ocupar a região e a ser um símbolo de luta contra o Estado burguês.


Aldeia Marak’ana nos dias de hoje

A Aldeia Marak’ana é uma aldeia composta por indígenas de diversas etnias, como Guajajara, Apurinã, Manauara e Kaiowá (nota pie 2). Devemos destacar que a Aldeia abriga uma “Pluversidade Indígena”, na qual são ensinados os saberes tradicionais dos indígenas e algumas de suas línguas ancestrais. Consideramos primordial destacar a riqueza da agenda cultural colocada em prática hoje pelos indígenas da Aldeia, pois, como afirma John Monteiro: 

No Brasil, é comum retratar as populações indígenas como meros resquícios de um passado cada vez mais remoto, como pobres remanescentes de uma história contada na forma de uma crônica do desaparecimento e da extinção. Diversos povos sucumbiram ao impacto do desaparecimento e da extinção. Diversos povos sucumbiram ao impacto fulminante de contato e da conquista, é verdade. Mas muitos conseguiram sobreviver ao holocausto, recompondo populações dizimadas, reconstruindo suas identidades, enfim, se ajustando aos novos tempos. Contribuem, hoje, para o rico painel de diversidade cultural que é, sem dúvida alguma, o patrimônio mais precioso deste país. (MONTEIRO, 1999, p.247)


Ademais, os moradores da Aldeia realizam uma série de atividades como pinturas corporais, cantos e músicas, a poesia, aulas de tupi-guarani, a roda de maracá, a contação de Histórias, a fogueira, a feitura de rapé e a horta comunitária. Em relação a essas atividades, podemos notar como os indígenas da Aldeia se relacionam profundamente com a Natureza por meio da plantação sustentável, que disponibiliza para eles o material para realizar sua medicina natural, e o plantio de alimentos para o consumo próprio e para a revenda, no intuito de gerar recursos econômicos. A principal fonte de renda para muitos desses indígenas é o artesanato, no qual são feitos colares, bolsas, redes e tipoias. A Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) organiza, semanalmente, uma feira interna na qual são ofertados os mais variados produtos para os estudantes e os indígenas da Aldeia Marak’ana aproveitam esse espaço para vender seus artesanatos e estreitar as relações com o espaço universitário da UERJ. Por fim, não podemos deixar de mencionar que os indígenas da Aldeia recebem pessoas de fora da Aldeia para participar de grande parte dessas atividades (imagem 3). 


Aldeia Marak’ana como símbolo de resistência ao Estado burguês capitalista

É fundamental romper com a ideia de vulnerabilidade da Aldeia, que apesar de enfrentar múltiplos desafios, segue como um símbolo de resistência indígena aos avanços do Estado burguês capitalista. O Estado ataca constantemente essa região por compreender que poderia utilizar o território de maneira mais “produtiva” em termos econômicos capitalistas. Em 2013, por exemplo, os indígenas foram retirados da Aldeia após sucessivos ataques ordenados pelo então governador do Estado do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, que cedeu a área para a empresa de engenharia Odebrecht, que pretendia construir um shopping e um estacionamento nesta região. A partir disso, se consolidou uma cisão interna no movimento indígena da Aldeia, o que demonstra que não podemos tratar os indígenas como um grupo homogêneo e sem distinções em suas percepções de mundo. Alguns indígenas aceitaram negociar com o Estado e se transferiram da Aldeia para um complexo do projeto da “Minha Casa Minha Vida” e um outro grupo, que ocupa a Aldeia atualmente, considerou que não era o momento de uma negociação com o Estado autoritário e capitalista. 

Em relação ao episódio da violenta expulsão dos indígenas da Aldeia Marak’ana, temos um momento marcante, no qual Urutau Guajajara subiu na copa de uma árvore e permaneceu lá por 26 horas sem água e sem comida, já que a Polícia Militar se recusava a permitir que ele fosse alimentado por seus parentes (nota pie 3). Essa manifestação gerou muito impacto, inclusive, na mídia tradicional e em movimentos políticos de esquerda que passaram a se aproximar e ajudar na luta dos indígenas da Aldeia (imagem 4). Durante esse período em que os indígenas foram retirados muitos deles se mantiveram acampando, realizando vigílias, protestos e tiveram que enfrentar ataques contínuos do Estado burguês. Após muita organização e luta, os indígenas recuperam o território em 2016 e seguem ocupando-o e sendo um exemplo de resistência indígena em contexto urbano. Isto posto, é importante salientar as mais variadas estratégias de luta adotadas pelos indígenas e não os resumir a uma imagem única, como afirma John Monteiro:  

Não basta mais caracterizar o índio histórico simplesmente como vítima que assistiu passivamente à sua destruição ou, numa vertente mais militante, como valente guerreiro que reagiu brava, porém irracionalmente à invasão europeia. Importa recuperar o sujeito histórico que agia de acordo com a sua leitura do mundo ao seu redor, leitura esta informada tanto pelos códigos culturais da sua sociedade como pela percepção e interpretação dos eventos que se desenrolavam. (MONTEIRO, 1999, p.248)


A História Oral como metodologia de diálogo com os indígenas da Aldeia Marak’ana  

Podemos afirmar que a História Oral, não só pode, como deve ser utilizada para compreendermos mais profundamente a memória e os discursos de sujeitos históricos que, como é o caso da Aldeia Marak’ana, carregam suas memórias e tradições mais interligadas com a oralidade. Ademais, é fundamental entender que existe uma sútil, mas primordial diferença, entre o conceito de História oral e o conceito de “fonte oral”, já que o primeiro necessita de métodos mais elaborados para ser utilizado de maneira correta, como afirma a autora Marieta de Moraes Ferreira: 

Diferentemente, o uso da expressão “fontes orais” parece encontrar uma aceitação maior. A denominação é ampla e pode ser aplicada a qualquer depoimento oral, produzido por qualquer indivíduo e em qualquer circunstância, sem nenhuma preparação prévia. Há aí uma diferença em relação à história oral, que pressupõe a produção de uma fonte oral específica resultante de um processo de elaboração e pesquisa por parte de um especialista. (MORAES, 2002, p.329)

Devemos compreender também que a história oral pode ser utilizada de duas maneiras. Uma delas busca relacionar os relatos orais com as fontes escritas para construir uma história que seja capaz de interligar perspectivas e preencher os múltiplos espaços que poderiam ser esquecidos ao utilizar somente fontes escritas. Inclusive, é dessa maneira que buscaremos analisar alguns relatos posteriormente. Uma outra maneira de se valer da história oral é buscando compreender as relações entre memória e História a partir dos relatos dos indivíduos, sem se importar obrigatoriamente com a veracidade dos fatos, pois o objetivo é buscar compreender as subjetividades presentes nesses relatos individuais. Sendo assim, a primeira maneira deve conter um método mais bem estabelecido para realizar entrevistas com algumas perguntas definidas e o segundo método busca ser realizado de maneira mais fluida, em um modelo próximo a de uma conversa. Por fim, ambos os métodos são capazes de resgatar e valorizar a memória dos grupos envolvidos. Como afirma Marieta de Moraes Ferreira, “Na recuperação da história dos excluídos, os depoimentos orais podem servir não apenas a objetivos acadêmicos, como também constituir-se em instrumentos de construção de identidade e de transformação social.” (FERREIRA, 2002, p.237)

Dessa forma, começamos a realizar visitas à Aldeia Marak’ana para que pudéssemos interagir com os indígenas da aldeia e, através de um modelo de entrevistas, com perguntas pré definidas, conseguimos  alguns depoimentos iniciais referentes às questões atuais e outras questões que dizem respeito à história da Aldeia Marak’ana. Algumas dessas perguntas são, por exemplo, “Você pode falar sobre a sua trajetória? Desde quando você está na Aldeia e qual o seu vínculo com este espaço indígena na cidade do Rio de Janeiro?”, “Por que você considera a Aldeia Maracanã importante para os indígenas no Rio de Janeiro? Quais atividades estão sendo tocadas atualmente?”. Algumas perguntas referem-se à expulsão dos indígenas da Aldeia no contexto da realização dos megaeventos, como: “Como funcionou a expulsão dos indígenas nesse período? Quem apoiou essa expulsão? Quais grupos políticos e sociais se fizeram presentes para ajudar na luta indígena?”. Além disso, há perguntas sobre questões internas e mais específicas da Aldeia que envolvem as relações entre os próprios indígenas presentes na Aldeia e as forças externas como a Polícia Militar, a Guarda Municipal e os jogos que ocorrem no estádio Maracanã. 

A partir dessas entrevistas, conseguimos entender mais profundamente algumas questões, como alguns conflitos internos que já aconteceram na Aldeia Marak’ana por conta de indígenas que tratavam de forma distinta outros indígenas que estavam em processo de retomada (nota pie 4). Uma outra temática que também foi levantada é de como os membros da Aldeia reconhecem os ataques e perseguições feitos por grupos fascistas e conservadores da sociedade, como é o caso do atual Deputado Estadual do Rio de Janeiro, Rodrigo Amorim, que já realizou diversas falas em ataque a Aldeia Marak’ana comoa registrada na reportagem da revista no dia 03 de Agosto de 2022 pela repórter Duda Monteiro de Barros :“A Aldeia Maracanã é lixo urbano. Quem gosta de índio, vá para a Bolívia”. Inclusive, em diálogos com membros da Aldeia podemos notar como o Deputado Estadual é visto por muitos como um dos principais perseguidores e inimigos da causa indígena. Em contrapartida, ao serem perguntados sobre setores não indígenas que apoiam as lutas da Aldeia, afirmaram que existem iniciativas individuais de estudantes e professores de universidades como a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a Universidade Federal Fluminense (UFF) e a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).. Ademais, os entrevistados confirmaram que existem grupos da esquerda que apoiam a Aldeia Marak’ana, porém uma questão muito presente em seus relatos é que, para eles, esses grupos da esquerda “não compram a briga” totalmente e poderiam ser mais ativos na luta. Por fim, devemos compreender que a história oral é uma prática coletiva e que passa por um esforço mútuo de todos os envolvidos. Como afirma Silvia Rivera Cusicanqui: 

La historia oral en este contexto es por eso mucho más que una metodologia "participativa" o de "acción" (donde el investigador es quién decide la orientación de la acción y las modalidades de la participación): es un ejercicio colectivo de desalienación, tanto para el investigador como para su interlocutor. Si en este proceso se conjugan esfuerzos de interacción consciente entre distintos sectores: y si la base del ejercicio es el mutuo reconocimiento y la honestidad en cuanto al lugar que se ocupa en la "cadena colonial", los resultados serán tanto más ricos en este sentido (CUSICANQUI, 1987, p.58) 


Considerações Finais

Buscamos ressaltar como a Aldeia Marak’ana exerce um fundamental papel político como símbolo e exemplo de resistência indígena em grandes centros urbanos. O objetivo central desta comunicação foi recuperar o histórico da Aldeia para, futuramente, solidificar a construção junto aos indígenas de nossa pesquisa. Recuperando as reflexões de John Monteiro (1999, p.248), buscamos tratar o indígena não como uma figura estanque e presa ao passado, mas sim como um agente histórico que toma suas decisões políticas segundo seus interesses e que se organiza cotidianamente para construir respostas para seus conflitos da atualidade. Portanto, como próximo passo da nossa pesquisa, buscaremos compreender, a partir da intensificação do diálogo com os membros da Aldeia, como eles se organizaram e se organizam até hoje para resistir à repressão do Estado burguês e atuar como um símbolo de sobrevivência da luta indígena no Rio de Janeiro. 

Notas de la ponencia:

(nota pie 1)  O título do trabalho foi alterado para o seguinte, em virtude do desenvolvimento da pesquisa: “Indígenas em contexto urbano: Aldeia Marak’ana como pilar da luta no Rio de Janeiro.”

(nota pie 2) Atualmente, a Aldeia Marak’ana conta também com a presença de um indígena Mapuche que veio de bicicleta para o Brasil e participa ativamente de todas as atividades realizadas na Aldeia Maracanã.

(nota pie 3) “Parentes” é a forma como os indígenas se identificam entre si, mesmo que entre povos diferentes e sem laços consanguíneos diretos.

(nota pie 4)  “Processo de retomada” é um movimento de recuperação da raiz cultural por parte de uma pessoa que não se identificava como indígena anteriormente.

Bibliografía de la ponencia

DOS SANTOS, Eduardo Natalino. “História dos vencidos, história da mestiçagem e história indígena”. In: ACRUCHE, Hevelly; SILVA, Bruno (Org.). As Américas em perspectiva: das conquistas às independências. Juiz de Fora, MG: Editora UFJF/ClioEdel, 2023, p.26-51.

MONTEIRO, John Manuel. "Armas e armadilhas. História e resistência dos índios" in: NOVAES, Adauto (org.). A outra margem do ocidente. São Paulo: Companhia das Letras, 1999, pp. 237-249.

GUAJAJARA, P., GUAJAJARA, U., OTOMORINHORI’Õ, X., MUNDURUKU, L., ICÓ, L.. Em nossas artérias nossas raízes. Rio de Janeiro: Cesac, 2023, 168p.

RIVERA CUSICANQUI Silvia, “El potencial epistemológico y teórico de la historia oral: de la lógica instrumental a la descolonización de la historia” en revista Temas Sociales, número 11, IDIS/UMSA, La Paz, 1987, p. 49-64. 

FERREIRA, Marieta de Moraes. História oral e tempo presente. In: ENCONTRO REGIONAL DE HISTÓRIA ORAL SUDESTE, 1, 1996.

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