Quanto custa o Lattes? Explorando a Pós-Graduação como Trabalho e suas Implicações na Saúde Mental

SP.69: Sistemas científicos en América Latina y el Caribe: violencias estructurales y resistencias

Ponentes

Nombre Pertenencia Institucional
Laize Almeida Universidade Federal de Lavras
Mônica Carvalho Alves Cappelle
Ana Lucia Souza Costa

 Quanto custa o Lattes? Explorando a Pós-Graduação como Trabalho e suas Implicações na Saúde Mental

 

1.                  Introdução

 

A universidade, enquanto ambiente de estudo e trabalho, pode ser equiparada à estrutura organizacional de capital intelectual na qual o estudante se encontra inserido. Essa configuração organizacional engloba ações e decisões que influenciam profundamente a vida dos alunos, impactando, em muitos casos, seu cotidiano, como horários de despertar, saída, padrões de vestimenta, comunicação, comportamento, cognição e emoção (Anjos, 2013).

Essa relação entre a estrutura organizacional e a vida dos indivíduos encontra eco nas análises de autores como Karl Marx, que destacou a influência da estrutura econômica sobre a superestrutura social, incluindo instituições como a educação. Marx (1867) também acreditava que o trabalho é fonte de valor, e os trabalhadores são os principais agentes que fornecem sua força de trabalho e criam valor nas instituições capitalistas, contribuindo para o funcionamento do sistema econômico. Por conseguinte, o sistema de produção molda a ideologia e a cultura de uma sociedade, e essa perspectiva pode ser aplicada à universidade como uma instituição inserida em um contexto social e econômico mais amplo (Marx, 1867).

O ambiente acadêmico se encaixa nessa concepção do trabalho como uma arena de luta simbólica e social, onde os indivíduos competem por recursos e status. Nesse contexto, as escolhas de profissões e ocupações não são meras decisões individuais, mas são profundamente influenciadas por fatores sociais, tais como classe social, nível educacional, origem cultural e redes de contatos (Bourdieu, 1990).

Neste contexto, o ato de estudar e trabalhar simultaneamente se revela como uma fonte de emancipação pessoal e construção de identidade. Portanto, o capital intelectual é notável por sua audaciosa busca em relacionar não apenas prazer e trabalho, mas também por desenvolver uma provocante proposta de emancipação, que traz consigo o potencial de gerar prazer e, ao mesmo tempo, desencadear sofrimentos criativos (Schaufeli & Taris, 2014).

Entretanto, a concepção do trabalho é de uma atividade viva, individual e subjetiva, onde a subjetividade, por sua natureza, não pode ser enquadrada no domínio do visível e, consequentemente, não pode ser quantificada (Marx, 1867). Portanto, elementos como sofrimento, prazer, amor, raiva e ódio não podem ser medidos diretamente. Podemos, no máximo, descrevê-los qualitativamente em determinadas circunstâncias. Por exemplo, podemos identificar a presença de agressividade ou a transformação do amor em ódio, mas tentar quantificá-los seria uma simplificação inadequada, uma vez que esses aspectos são intrinsecamente subjetivos e complexos (Dejours, Oliveira Barros & Lancman, 2016).

Este aspecto se encontra alicerçado nos estudos de Dejours (2012), que considera a importância do trabalho vivo como uma dimensão subjetiva do trabalho na busca pela emancipação do sujeito. Ele explora como as condições de trabalho afetam a subjetividade e o bem-estar dos trabalhadores. Além disso, essa dinâmica pode levar a situações de angústia e, em casos extremos, desenvolver patologias.

Assim, esta pesquisa tem como objetivo analisar o reconhecimento dos pós-graduandos como trabalhadores intelectuais e compreender como a dinâmica do trabalho acadêmico afeta a saúde mental dos trabalhadores intelectuais. Para atingir esses objetivos, é imperativo abordar as seguintes questões de pesquisa: Q1: Como a jornada dos trabalhadores de pós-graduação pode ser reconhecida como uma forma de trabalho intelectual? Q2: Como a dinâmica do trabalho acadêmico afeta a saúde mental dos trabalhadores intelectuais?

Este artigo está estruturado em quatro seções distintas. A primeira seção aborda o referencial teórico, fornecendo uma contextualização sobre o Trabalho Intelectual na Pós-Graduação à luz do Capital Simbólico de Pierre Bourdieu, além de discutir a Saúde Mental dos Trabalhadores de Pós-Graduação na Perspectiva da Psicodinâmica do Trabalho de Christophe Dejours. A segunda seção detalha os métodos e técnicas empregados nesta pesquisa qualitativa. Em seguida, a terceira seção apresenta os dados coletados, os resultados obtidos e as discussões decorrentes desses achados. A última seção do artigo consiste nas considerações finais, onde são abordadas as limitações do estudo e oferecidas sugestões para pesquisas futuras. Este encerramento proporciona uma síntese coerente das principais conclusões, proporcionando uma visão abrangente do trabalho desenvolvido.

 

2.                  Referencial teórico

 

2.1 O Trabalho Intelectual na Pós-Graduação à Luz do Capital Simbólico de Pierre Bourdieu

 

As universidades mantêm, há séculos, sua missão fundamental de ensino e pesquisa, mas no século XIX surgiu uma terceira missão que visa conectar ensino, pesquisa e sociedade. Nos últimos tempos, as universidades públicas têm enfrentado desafios consideráveis devido à pressão financeira e à influência do neoliberalismo (Ross e Gibson, 2007; Martin-Sardesai et al., 2021). Ao mesmo tempo, a globalização tem promovido uma convergência política que resulta na adoção de medidas semelhantes em várias nações. No cenário brasileiro, a transição na educação superior se caracteriza pela rápida expansão, políticas de diversificação e esforços democratizantes, todos sob a influência da centralização estatal (Bittencourt & Pereira, 2022).

Essa expansão também se reflete no sistema de ensino de pós-graduação do Brasil, o qual abrange uma ampla diversidade de áreas e programas acadêmicos em diferentes níveis, que vão desde cursos de aperfeiçoamento até o doutorado, englobando especializações e mestrados. De acordo com os dados de 2021 da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Ensino Superior (CAPES/MEC), o Brasil conta com um total de 122.295 estudantes matriculados em programas de pós-graduação. Desse total, 76.323 estão cursando mestrado acadêmico, 4.008 participam de programas de mestrado profissional e 41.964 estão no doutorado (Capes, 2021).

É importante destacar que, apesar desse potencial intelectual, a profissão de pesquisador ainda não é regulamentada no Brasil. No entanto, existe um projeto de lei em tramitação no Congresso Nacional que visa regulamentar a profissão de pesquisador acadêmico. Esse projeto busca garantir que estudantes de pós-graduação e bolsistas que conduzem pesquisas tenham todos os direitos trabalhistas assegurados por lei. Atualmente, esses profissionais, que contribuem para o avanço do país por meio de pesquisas financiadas, não têm seus direitos reconhecidos, o que resulta na desvalorização e no não reconhecimento efetivo dessa categoria como trabalhadores (Brasil, 2010).

[A legislação trabalhista a previdenciária não protege nossos jovens pesquisadores acadêmicos. Esse vazio legal talvez decorra de uma certa ênfase no vínculo empregatício como fator de direitos. Dessa forma, estudantes e pesquisadores, que tanto representam para o desenvolvimento humano e tecnológico do nosso País, perdem a contagem de um tempo relevante de suas vidas para fins de benefícios previdenciários e direitos trabalhistas] (Brasil, 2010).

 

Apesar da falta de regulamentação específica da profissão de pesquisador, existem órgãos de fomento à pesquisa, considerados órgãos de promoção e não de regulação da pesquisa no Brasil, como o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e a CAPES, que apoiam e financiam as pesquisas no Brasil (Souza, Silva & Serpa, 2023). Nesta seara, aparece a figura da Plataforma Lattes, um sistema de currículos virtual, concebido e mantido pelo CNPQ, que opera como um mecanismo de integração das bases de dados curriculares, grupos de pesquisa e instituições. Essa plataforma é de suma importância na disseminação das trajetórias e produções acadêmicas de pesquisadores e estudantes no país. Contudo, embora sua missão seja central para a promoção da pesquisa, esses recursos são, por vezes, percebidos como fontes de pressão para os profissionais da pesquisa acadêmica (Souza, Silva & Serpa, 2023).

Como resultado, os acadêmicos se engajam nesse jogo competitivo (Bourdieu, 1990), embora frequentemente de maneira relutante, em parte devido aos impactos mensuráveis que essas atividades têm em modelos de carga de trabalho acadêmico, promoções e solicitações de bolsas de pesquisa, entre outros fatores (Leišytÿ, 2016; Rowlands, 2018). Esse ambiente competitivo pode, por sua vez, contribuir para o desenvolvimento de problemas de saúde mental, uma questão que será explorada com mais detalhes na próxima seção.

 

2.2 A Saúde Mental dos Trabalhadores de Pós-Graduação na Perspectiva da Psicodinâmica do Trabalho de Christophe Dejours

 

Nos últimos anos, o interesse crescente nos estudos relacionados ao mundo do trabalho, especialmente na Psicodinâmica do Trabalho de Dejours, tem ocupado um lugar de destaque em congressos nacionais e internacionais. Esta abordagem oferece uma perspectiva inovadora sobre a subjetividade no trabalho, permitindo que os trabalhadores expressem suas experiências e sentimentos no ambiente laboral (Bueno & Macêdo, 2012).

Nessa jornada intelectual de Dejours, os alicerces estão fincados nos elementos fundamentais do trabalho para o indivíduo. A abordagem ontológica dessa questão transcende o escopo da proposta, destacando que o trabalho não apenas modifica o ser social, mas também postula que o corpo humano é uma fonte geradora de conhecimento. Essa perspectiva traz consigo a crucial distinção entre o trabalho prescrito e o trabalho real (Dejours, 2012). Uma vez que o conhecimento necessário para a execução do trabalho real emerge da inteligência inerente ao próprio corpo, e não da reflexão intelectual convencional (Rossato, 2001; Souza, 2023 e Rocha, 2023).

Deste modo, Dejours percebe o trabalho como um elemento crucial na preparação da saúde e identidade do sujeito, entendendo que sua influência não se restringe ao período formal da jornada de trabalho, mas se estende a todo o âmbito da vida familiar e aos momentos de não labor (Dejours, 1992, 1993, 1994; Bandt et al., 1995).

Quando aplicado ao contexto dos trabalhadores de pós-graduação, o conceito de trabalho de Dejours (1987) pode oferecer uma perspectiva valiosa para compreender os desafios específicos que enfrentam, incluindo pressões acadêmicas intensas, solidão e preocupações financeiras. Isso se deve ao fato de que esses trabalhadores, reconhecidos como detentores do capital intelectual (Bourdieu, 1998), não adotam uma postura passiva diante dos desafios impostos pela estrutura acadêmica (Heloani & Lancman, 2004). É por essa razão que é raro considerar o trabalho como um elemento que não influencia a saúde mental (Dejours, 1999). O trabalho transcende a mera produção, pois representa também um processo de autoconstrução, transformação pessoal e formação de identidade.

Em uma outra pesquisa realizada nos Estados Unidos com 50 doutorandos em ciências da vida, focando na decisão de ocultar ou revelar a depressão entre eles, revelou que os estudantes de pós-graduação nessa área frequentemente compartilhavam seus sentimentos de depressão com seus colegas de curso (Wiesenthal, Gin, & Cooper, 2023). Entretanto, constatou-se uma relutância por parte dos estudantes de pós-graduação em compartilhar sua depressão com os pesquisadores de graduação. Os doutorandos explicaram que o principal receio de revelar a depressão era o temor de serem julgados por seus orientadores acadêmicos. Isso evidencia que as complexas dinâmicas de poder entre os estudantes de pós-graduação, seus orientadores, seus colegas e seus pupilos de graduação desempenharam um papel significativo na determinação de por que eles optaram por revelar ou ocultar sua depressão em cada situação (Wiesenthal et al., 2023).

No Brasil, por exemplo, aproximadamente 10% da população, o que equivale a cerca de 23 milhões de pessoas, enfrenta a depressão, com 5 milhões delas vivenciando estágios moderados a graves da doença. Isso coloca o país em quinto lugar mundial em casos de depressão e em primeiro lugar no que diz respeito aos transtornos de ansiedade. De forma alarmante, um estudo recente realizado pela UFRJ com 85 mil jovens, com idades entre 12 e 17 anos, revelou que 30% deles enfrentam transtornos mentais comuns, como tristeza frequente, falta de disposição e dificuldade de concentração. Esses sintomas, se não tratados de maneira adequada, podem evoluir para distúrbios mais graves, incluindo o preocupante risco de suicídio (Costa & Nebel, 2018).

Nesse contexto, a teoria de Dejours nos convida a repensar a questão da saúde mental à luz dos processos de sublimação. Dejours argumenta que o trabalho nunca é neutro em relação à saúde mental, podendo gerar tanto sofrimento quanto prazer (Dejours, 1987; 2008; 2012). O modo como vivemos e produzimos coletivamente é um elemento importante nessa equação. Pertencer a um coletivo acadêmico pode permitir a partilha de conhecimento e reconhecimento das contribuições individuais no desenvolvimento de uma sociabilidade que é moldada por um histórico coletivo (Moraes, 2023).

Tais constatações destacam a urgente necessidade de direcionar atenção e apoio aos estudantes de pós-graduação, a fim de preservar sua saúde mental enquanto buscam a excelência acadêmica. Além disso, elas sublinham a importância de abordar prontamente questões de saúde mental em todas as faixas etárias, enfatizando a necessidade de conscientização, prevenção e acesso ao tratamento adequado para a saúde mental, com foco especial na juventude. O cuidado com a saúde mental deve ser uma prioridade, tanto nas instituições de ensino superior quanto na sociedade como um todo (Moraes, 2023).

Esses elementos refletem como as condições de trabalho no ambiente acadêmico podem desencadear sofrimento psíquico, corroborando a teoria de Dejours sobre a relação entre trabalho e saúde mental.

 

3. Procedimentos Metodológicos

 

Esta pesquisa adota uma perspectiva paradigmática inserida no âmbito qualitativo da construção humana e social (Guba, Egon, Yvonna & Lincoln, 1994). Embora Guba et al. (1994) expressem apoio à combinação de métodos qualitativos e quantitativos no âmbito metodológico, questionam a fusão de abordagens de pesquisa no nível paradigmático. Uma vez que é impossível aderir simultaneamente à neutralidade e ao objetivismo da ciência convencional, enquanto se envolve no subjetivismo das linhas interpretativas. Isso decorre da compreensão de que as questões sociais são intrinsecamente complexas e demandam abordagens tanto analíticas quanto sistêmicas.

Em consonância com o escopo deste estudo, justifica-se a escolha do método de estudos qualitativos "básico" ou "genéricos", em razão da busca por compreender os significados atribuídos pelos participantes ao fenômeno ou situação em estudo. Seu objetivo fundamental é buscar as perspectivas e visões de mundo das pessoas envolvidas nesse contexto (Merriam, 1998; 2002).

Isso é especialmente relevante, pois essa abordagem tem se difundido em diversas áreas do conhecimento, incluindo a Administração, devido ao seu foco na compreensão das perspectivas e interpretações dos participantes (Godoy, 2005). Com base nas definições adotadas nesta pesquisa, é explicativa quanto aos objetivos, visto que busca compreender as experiências vivenciadas pelos trabalhadores intelectuais na pós-graduação e seu impacto na saúde mental.

 

3.1 Seleção dos Sujeitos de pesquisa

 

O processo de seleção dos participantes para esta pesquisa foi conduzido de maneira diligente, considerando criteriosamente os princípios de relevância e acessibilidade. Esses critérios foram adotados para assegurar que os indivíduos escolhidos possuíssem um entendimento aprofundado do fenômeno em análise, sendo que suas experiências desempenham um papel de relevância na construção do presente estudo.

Os participantes selecionados foram doutorandos atualmente matriculados no Programa de Pós-Graduação (PPG) em administração de uma instituição de ensino superior pública localizada na Região Sul de Minas Gerais. Os doutorandos foram escolhidos como sujeitos, pois acreditamos que, nessa fase, sua contribuição intelectual é mais latente, destacando sua experiência como objetivo central para atingir os objetivos deste estudo. É importante observar que a pesquisa não estabeleceu critérios de seleção com base em gênero ou renda, uma vez que o foco estava na obtenção de informações pertinentes ao contexto vivenciado pelos doutorandos.

Os participantes foram intencionalmente recrutados por meio da rede social WhatsApp, especificamente no grupo frequentado pelos trabalhadores intelectuais do Programa de Pós-graduação em Administração. Essa abordagem apresentou a vantagem adicional de que os participantes já estavam familiarizados com o primeiro autor do estudo, que possui matrícula ativa como doutorando (a) no PPG.

Dos sujeitos que se prontificaram a participar das entrevistas, um total de 12 indivíduos concordaram em fazê-lo. Contudo, para preservar a confidencialidade de suas identidades, optamos por empregar pseudônimos como designações correspondentes. O uso de pseudônimos relacionados a filósofos nesta pesquisa está ancorado no contexto do campo intelectual, refletindo a ligação do entrevistado com a tradição filosófica e sua busca por uma identidade que remete à profundidade e relevância do trabalho, os quais foram atribuídos conforme tabela 1.

 

Tabela 1

Levantamento das entrevistas conduzidas e Lista de Pseudônimos designados aos participantes entrevistados.

Pseudônimo dos entrevistados

Local de coleta de dados

Data da         entrevista

Duração

01

Sócrates

Online

20/10/2023

40:52

02

Platão

Presencial

24/10/2023

15:54

03

Aristóteles

Online

25/10/2023

14:18

04

Santo Agostinho

Online

25/10/2023

22:09

05

Descartes

Online

26/10/2023

19:16

06

John Locke

Online

28/10/2023

20:56

07

David Hume

Presencial

30/10/2023

22:25

08

Rousseau

Presencial

30/10/2023

31:35

09

Kant

Online

01/11/2023

33:49

10

Nietzsche

Presencial

01/11/2023

30:13

11

Foucault

Online

03/11/2023

01:02:02

 

Quanto aos critérios de exclusão, foram aplicadas as seguintes diretrizes: foram excluídos trabalhadores que estivessem afastados por razões de saúde ou que não estivessem cursando o programa no momento da realização das entrevistas, por questões éticas; também foram excluídas pessoas com menos de 18 anos de idade, bem como trabalhadores de outros programas de pós-graduação que estivessem cursando disciplinas na área de administração; alunos especiais também foram excluídos.

 

3.1 Coleta de Dados

 

Os dados foram coletados por meio de entrevistas semiestruturadas com roteiro aberto. Os roteiros compreendiam um total de 20 questões, elaboradas com base nos princípios e características do capital simbólico e da psicodinâmica do trabalho. Essas perguntas foram distribuídas em cinco blocos distintos dentro do roteiro. As entrevistas semiestruturadas são modalidades que aprimoram a elaboração de um levantamento de dados e sua interpretação, potencializando uma compreensão mais aprofundada. Esta abordagem propicia a disponibilização de informações significativas que coadjuvam na explicação dos resultados científicos (Bauer & Gaskell, 2002). Essa abordagem permitiu que os participantes compartilhassem suas experiências de forma mais aberta e detalhada. Um pré-teste das entrevistas foi realizado para aprimorar a consistência e confiabilidade da pesquisa.

Para efetuar a coleta de dados, inicialmente, foi realizada uma abordagem por meio de uma pesquisa via enquete na plataforma de rede social WhatsApp, pertencente ao programa de pós-graduação. Subsequentemente, estabelecemos comunicação com os doutorandos que manifestaram interesse em participar das entrevistas. Posteriormente, realizamos um segundo contato por meio telefônico para concretizar o agendamento das sessões. Dentre o contingente inicial de doutorandos abordados, doze expressaram positivamente sua disponibilidade para integrar o estudo, e, após uma série de reajustes de horários, foi possível realizar as entrevistas semiestruturadas.

Desse modo, as entrevistas transcorreram entre os meses de outubro e novembro de 2023. Das doze entrevistas conduzidas, sete ocorreram de maneira virtual, atendendo à preferência e conveniência dos participantes, bem como considerações de distância geográfica. Sendo que uma entrevista destas sete foi o pré-teste. As quatro entrevistas restantes foram realizadas presencialmente, conforme a escolha dos entrevistados. No que tange à duração das entrevistas, estas variaram entre 14 minutos e 18 segundos a 1 hora e 2 minutos. Em seguida, as transcrições foram registradas com o suporte da suíte de aplicativos Microsoft Office Word 365, resultando em um arquivo abrangente com 65 páginas. Essas transcrições foram subsequentemente revisadas e submetidas a análises detalhadas.

Ressaltamos que o delineamento da pesquisa observou rigorosamente princípios éticos, garantindo o consentimento informado dos participantes, além da preservação da confidencialidade e privacidade de suas informações.

 

3.3 Análise de Dados

 

Como técnica de análise de dados, este estudo adotou a análise de conteúdo temática. A análise de conteúdo é um conjunto abrangente de técnicas. Essa abordagem envolve a análise de informações relacionadas ao comportamento humano, o que viabiliza uma aplicação versátil. Ela desempenha duas funções fundamentais: a verificação de hipóteses e/ou questões, bem como a exploração daquilo que está subjacente aos conteúdos manifestos de maneira explícita (Minayo, 2001).

A Análise de Conteúdo Temática é desdobrada em três fases distintas que se iniciam com a pré-análise, abrangendo a leitura flutuante, a constituição do corpus e a formulação ou reformulação de hipóteses. Em seguida, durante a exploração do material, identificam-se categorias representativas, organizando o conteúdo com base em expressões significativas. Na etapa final de tratamento dos resultados e interpretação, ocorre a classificação e agregação de dados, com a escolha de categorias teóricas ou empíricas. Nesse momento, propõem-se inferências, interpretando-as à luz do quadro teórico inicial ou explorando novas dimensões teóricas sugeridas pela leitura do material (Minayo, 2007).

A seguir, a tabela 2 exibe a estrutura metodológica da pesquisa, delineando os objetivos, categorias de análise, subcategorias e os autores correspondentes que fundamentaram o estudo.

 

Tabela 2

Categorias estabelecidas na Análise de Conteúdo das entrevistas efetuadas com os trabalhadores intelectuais

Questão de pesquisa

Objetivos

Categorias

Subcategorias

Autores

Q1: Como a jornada dos trabalhadores de pós-graduação, pode ser reconhecida como uma forma de trabalho intelectual?

Analisar o reconhecimento dos pós-graduandos como trabalhadores intelectuais

CA1: Experiência de Trabalho Acadêmico e Demandas da Pós-Graduação

Posse trabalho

 

 

Del Valle, 2002; Abdala, 2013,  Bourdieu, 1988; 2001,  Salter e Tapper, 2002; Rowlands, 2018

 

Formalização e regulamentação do trabalho

Reconhecimento Pessoal

Reconhecimento Social

Reconhecimento institucional

Q2: Como a dinâmica do trabalho acadêmico afeta a saúde mental dos trabalhadores intelectuais?

Compreender como a dinâmica do trabalho acadêmico afeta a saúde dos trabalhadores intelectuais.

CA 2: Teoria Psicodinâmica do Trabalho e a Experiência de Prazer e Sofrimento no Trabalho Acadêmico

Prazer com o trabalho

 

 

Dejours, 2004a, 2004b;  Giongo, Monteiro & Sobrosa, 2015; Areosa, 2019 e Pena & Remoaldo, 2019.

Sofrimento com o trabalho

Pressão acadêmica

CA 3: Impacto na Saúde Mental e Bem-Estar

Impactos na saúde mental

Formas de lidar com a pressão acadêmica

Sugestões

 

Esse alinhamento metodológico aprimorou a compreensão da interconexão entre os objetivos desta pesquisa, suas respectivas categorias de análise e a fundamentação teórica que respalda cada objetivo. Isso facilitou a implementação de uma abordagem aprofundada para explorar as experiências dos trabalhadores intelectuais do PPG em administração, capturando suas perspectivas de maneira detalhada e qualitativa. A utilização combinada de entrevistas semiestruturadas, pré-teste e análise temática enriqueceu e conferiu confiabilidade aos dados coletados.

Nesta pesquisa, exploramos a codificação seguindo Merrian (2002), relacionada ao reconhecimento do pós-graduando como trabalhador intelectual, seguindo Bourdieu (1990), e os impactos na saúde mental com base em Dejours (1967). Ao analisar a percepção dos pós-graduandos, identificamos impactos críticos e propusemos soluções organizacionais. Buscamos compreender e fornecer insights para que organizações – universidades, programas de pós-graduação e agência de fomento - possam responder melhor às pressões institucionais. Apresentamos nossas descobertas de forma detalhada abaixo.

 

4.                  Análise e Discussão dos Resultados

 

A primeira pergunta da nossa pesquisa explora como a jornada dos pós-graduandos pode ser reconhecida como uma forma de trabalho intelectual. Para responder a essa pergunta, começamos identificando temas compartilhados pelos pós-graduandos em suas experiências para lidar com as demandas acadêmicas e receber reconhecimento. Na Tabela 2, observamos padrões comuns entre os pós-graduandos, e com base nessas categorias, conseguimos agrupá-los à luz do conceito de capital simbólico de Bourdieu em cinco subcategorias: Posse de trabalho; Formalização e regulamentação do trabalho (Reconhecimento legal); Reconhecimento Pessoal; Reconhecimento Social e Reconhecimento institucional.

 

CA 1: Experiência de Trabalho Acadêmico e Demandas da Pós-Graduação

 

A percepção do trabalho, tal como vivenciada na experiência do trabalho intelectual dos pós-graduandos, começa com a auto identificação como trabalhadores no ambiente acadêmico. Nesse contexto, o trabalho se caracteriza como “vivo” e o concebe como uma dimensão subjetiva que proporciona a emancipação do sujeito. No entanto, a experiência relatada pelos doutorandos na maioria das vezes não é considerada por eles como uma vivência profissional, conforme evidenciado nas reflexões de Aristóteles, Platão, Rousseau, Santo Agostinho e David Hume. Pelo contrário, os questionamentos do sujeito a si mesmo revelam uma pausa de reflexão, como expresso por Santo Agostinho ao indagar "[...] na pós ou fora?," indicando uma falta de auto identificação por não se reconhecer como um sujeito trabalhador na pós-graduação.

Outra identificação remete à perspectiva financeira, onde o recebimento de uma bolsa é vista como a contrapartida por prestação de serviço, caracterizando o trabalho como uma simples atividade laboral, conforme expresso por John Locke "[...] mas sim porque eu recebo a bolsa [...]". Essa perspectiva reflete a ideia de que ao receber uma compensação financeira para realizar uma atividade, o indivíduo passa a se considerar como um trabalhador, trazendo assim o trabalho para o campo material e visível. Nesses casos, a subjetividade atribuída ao trabalho, entendido como uma atividade viva, individual e subjetiva por natureza, não é plenamente percebida pelos pós-graduandos. O trabalho, em sua essência, não se encaixa na categoria do visível, porque é essencialmente uma experiência subjetiva (Dejours, 2012).

O reconhecimento do status de trabalhador inicialmente depende da auto identificação. Neste aspecto o papel do capital intelectual é notável por sua audaciosa busca por desenvolver uma provocante proposta de emancipação (Schaufeli & Taris, 2014). Porém, alcançar uma legitimidade e emancipação é um processo gradual como é para Foucault: “ [...] Vezes, eu preciso da perspectiva do outro para me ver. Trabalhador, entendi como as pessoas não me veem como trabalhador. Eu tenho dificuldade em me reconhecer”. E muitas vezes não percebido imediatamente ao iniciar, por exemplo, a pós-graduação.

Durante esse processo de legitimação, os professores desempenham um papel relevante ao reforçar a postura do trabalhador intelectual, conforme expresso por Kant: [..] "Eu comecei a pensar isso a partir de algumas professoras na pós que sempre começaram a reforçar isso para mim [...] nós somos trabalhadores, sim". Essa atitude de reconhecimento pessoal, conforme delineado por Bourdieu (1990), conduz o trabalhador intelectual à sua emancipação individual. Isso ocorre porque o trabalho manifestado a partir de sua atividade intelectual representa um ritual social de reconhecimento para cada indivíduo.

Portanto, a partir desta análise identificamos que a concretização e emancipação do indivíduo como trabalhador intelectual perpassa por quatro perspectivas fundamentais: 1) o reconhecimento pessoal; 2) reconhecimento legal; 3) reconhecimento social e o 4) reconhecimento institucional. Dada a estas características, o reconhecimento pessoal percorre todo o processo de auto identificação até atingir a legitimidade, permitindo ao indivíduo reconhecer-se como um trabalhador, conforme detalhado anteriormente.

Nessa seara o reconhecimento legal está intimamente ligado às questões trabalhistas, envolvendo horários definidos para iniciar e encerrar atividades, pausas e contribuições previdenciárias. Nesse contexto, destaca-se o papel das elites econômico-políticas que influenciam a acumulação de capital simbólico, impactando diretamente sua posição de poder na sociedade (Del Mar & Andreu, 2017).

Apesar de receberem bolsas, os pós-graduandos não têm acesso aos direitos trabalhistas, o que gera insegurança. Essa falta de garantias é percebida pelos doutorandos, refletindo uma dinâmica de poder na sociedade, conforme mencionam Descartes: "Começando pelos nossos direitos trabalhistas, que não temos". Kant reforça: "[...] o trabalho está diretamente ligado à ideia de horário fixo! A formalização, a carteira de trabalho, questões trabalhistas... a partir do momento em que você contribui para o INSS."

No contexto legal brasileiro, a profissão de pesquisador acadêmico não é reconhecida, gerando insegurança para esses pós-graduandos, que dedicam muitos anos de sua vida, sem obter quaisquer reconhecimentos de sua existência como trabalhadores. Atualmente, há um projeto de lei em tramitação no Congresso Nacional que visa garantir os direitos trabalhistas dos trabalhadores intelectuais. Isso não deixa de caracterizar o trabalho como tal, mesmo que não seja reconhecido, remunerado, visível, percebido e, muitas vezes, nem aceito. Uma vez que, o trabalho não se restringe ao período formal da jornada de trabalho, mas se estende a todo o âmbito da vida familiar e aos momentos de não labor (Dejours, 1992, 1993, 1994; Bandt et al., 1995).

Ou seja, o trabalho ultrapassa a característica laboral com horários fixos, jornada de trabalho de 40 a 44 horas semanais (Dejours, 1992, 1993, 1994; Bandt et al., 1995). Mas para os doutorandos a ausência deste aspecto leva à falta de um reconhecimento social. As pessoas, sejam elas familiares ou mesmo a própria comunidade acadêmica, não reconhecem o pós-graduando como um trabalhador se não estiver sob o estigma da formalização trabalhista. Isso se revela claramente na fala de Sócrates: “[...]as pessoas nem sabem a duração de um doutorado, o nível de exigência que é[...]”. O que é desconhecido por grande parte da sociedade é que este trabalhador intelectual para obter essa elevada qualificação acadêmica, requer um compromisso de vários anos após a graduação, abrangendo mestrado, doutorado e, em alguns casos, pós-doutorado, dependendo das normativas de cada instituição (Silva Júnior, 2017).

Devido à falta de reconhecimento de grande parte da sociedade em que não se encontram no meio acadêmico, levam esses trabalhadores a um total descrédito de seus esforços e são indagados constantemente sobre quando irão começar a trabalhar, desqualificando sua atividade como trabalho intelectual. Portanto, para o seu ciclo social, o doutorado é visto muitas vezes como um ritual de passagem em que é considerado por alguns como "capricho" e por outros como "falta de ocupação".

Sob este aspecto, Sócrates manifesta sua insatisfação e incredulidade diante da falta de reconhecimento do seu trabalho: "O que você vai fazer depois, né? [...] Eles acham assim que fazer uma pós-graduação significa que você só pode atuar depois”. E isto, não é um fato isolado porque diz muito sobre a cultura de pós-graduação no Brasil e embora em expansão há um limitado acesso a este nível de instrução. Levando a perpetuarem esses questionamentos vivenciados por todos, como por exemplo, é visto na fala de John Locke: “A frase 'Ah, mas você só estuda.' É recorrente e isso mina demais a gente, porque não é só um estudo [...] você vai ficar só estudando até quando? Trabalhar também é importante. Depois que você se aposentar e tudo, sabe, esses tipos de comentários assim”, confirma David Hume. Poucos sabem que, mesmo esperando reconhecimento das políticas públicas e das regras dos órgãos de controle, o saber essencial para realizar o trabalho vem da inteligência natural do nosso próprio corpo, não apenas da reflexão intelectual tradicional (Rossato, 2001; Souza, 2023; Rocha, 2023).

Outro tipo de reconhecimento destacado neste estudo é o institucional, especialmente no contexto acadêmico, onde a promoção cultural e intelectual deveria ser o local principal para reconhecer o pós-graduando como um trabalhador intelectual. No entanto, é exatamente nesse ambiente que muitas vezes falta esse reconhecimento, o que impede a emancipação do pós-graduando como indivíduo. É uma falta de reconhecimento que, embora esperado dada a expertise daqueles que contribuem para a ciência no Brasil, acaba gerando frustração. É compreensível que familiares e amigos possam não reconhecer devido à falta de entendimento, mas quando esse sentimento de reconhecimento esperado não é encontrado no ambiente acadêmico de pós-graduação, surge uma sensação de frustração, conforme expresso na fala de Foucault quando expressa sua visão sobre o ambiente acadêmico: "está cada dia mais hostil".

O reconhecimento a nível institucional funciona como uma espécie de moeda de troca, sendo composta principalmente por publicações. Ou seja, o valor e o reconhecimento são medidos pelo que você produz, conforme insatisfação apresentada na fala de Descartes: "A gente destaca muito as publicações, né? Porque é a moeda... Às vezes, com as indicações que tem, então isso vai realmente gerar esse sentimento de reconhecimento". Essa ideia é reforçada por John Locke, que destaca: "O reconhecimento da instituição me dá a impressão de que, se estou na faculdade, estou sendo reconhecido como um aluno que produz, publicando constantemente. Caso contrário, não sou reconhecido".

Além de ser uma característica da instituição e do programa de pós-graduação que estamos pesquisando, essa mentalidade está profundamente arraigada. Foucault continua nessa linha, dizendo: "É muito, muito enraizado no caráter do programa de pós-graduação. Espírito de competição". Os acadêmicos se envolvem nesse jogo competitivo (Bourdieu, 1990), embora muitas vezes relutantemente, em parte devido aos efeitos mensuráveis que essas atividades têm em aspectos como carga de trabalho acadêmico, promoções e pedidos de bolsas de pesquisa, entre outros fatores (Leišytÿ, 2016; Rowlands, 2018).

Na vida acadêmica, ser reconhecido como um trabalhador intelectual envolve seguir um ritual institucional estabelecido ao longo dos anos pelos programas de pós-graduação. Mesmo que a necessidade de ser produtivo nem sempre seja natural na pós-graduação, existe uma forte pressão para atender às expectativas dos órgãos de fomento. Isso significa que os profissionais enfrentam uma carga considerável, como Descartes destaca: "Às vezes, as demandas são tão grandes que nos fazem questionar... a ponto de sentir vontade de desistir."

As exigências burocráticas rigorosas adotadas por instituições acadêmicas impactam profundamente as práticas dos pesquisadores, potencialmente prejudicando a criatividade e a inovação na pesquisa (Souza, Silva & Serpa, 2023). Essa pressão é sentida também por doutorandos, como John Locke: "Coloca umas métricas muito quantitativas... você tem que fazer um memorial, dizendo tudo o que você produziu. Então, nós somos cobrados? Muitos professores falam: queremos que vocês publiquem em periódicos de alto fator de impacto e em bons periódicos. Mas isso exige tempo e dedicação para que você entregue". Nietzsche denomina essa dinâmica como "regras do jogo". Este ritual, fortemente influenciado pelas elevadas demandas, é guiado pelo processo determinado pela CAPES, o órgão brasileiro de fomento à pesquisa. Este processo, embora sujeito a lacunas, está firmemente institucionalizado no contexto da pós-graduação brasileira. O que representa uma verdadeira luta simbólica e social, onde os indivíduos competem por recursos e status (Bourdieu, 1990).

Agora, abordamos nossa segunda pergunta de pesquisa: como a dinâmica do trabalho acadêmico afeta a nossa saúde mental como trabalhadores intelectuais? Ao explorar as dimensões de prazer e sofrimento segundo Dejours, os pós-graduandos, enfrentam pressões tanto do ambiente externo quanto interno. A busca pelo equilíbrio parece quase como um ato altruísta, algo que nem todos conseguem alcançar. É um desafio constante, mas importante, para manter o equilíbrio entre as demandas acadêmicas e a saúde mental. Essa dinâmica foi examinada por meio de categorias específicas: Teoria Psicodinâmica do Trabalho e a Experiência de Prazer e Sofrimento no Trabalho Acadêmico e o Impacto na Saúde Mental e Bem-Estar. A partir dessas categorias, identificamos seis subcategorias: Prazer com o trabalho; Sofrimento com o trabalho; Pressão acadêmica; Impactos na saúde mental; Formas de lidar com a pressão acadêmica e Sugestões.

 

CA 2: Teoria Psicodinâmica do Trabalho e a Experiência de Prazer e Sofrimento no Trabalho Acadêmico

 

Percebemos que os pós-graduandos enfrentam uma competição inerente ao meio acadêmico, refletida em atividades como publicações, busca por bolsas e participação em congressos, impactando negativamente sua saúde mental. É por essa razão que é raro considerar o trabalho como um elemento que não influencia a saúde mental (Dejours, 1999). O trabalho transcende a mera produção, pois representa também um processo de autoconstrução, transformação pessoal e formação de identidade. A tristeza evidente na fala de John Locke revela o agravamento da ansiedade, especialmente durante o doutorado: "[...] já era uma pessoa que tinha um certo grau de ansiedade e acabou sendo exacerbado. Isso acabou ficando mais sério, mais grave [...] principalmente no doutorado [...] hoje eu ainda estou em tratamento psicológico, diminuíram as minhas crises, mas... eu ainda tenho muitas crises de ansiedade". Este relato não é algo para ser subestimado. Nas entrelinhas das palavras tristes, há um desabafo e um pedido de socorro, refletindo a percepção lamentável de um ambiente acadêmico considerado altamente insalubre, conforme descrito na fala de Sócrates: "[...] de repente você está se sentindo triste, perdido [...] todo mundo que entra nos pós vai desenvolver uma depressão, alguma coisa assim".

Portanto, o trabalho oferece uma visão importante para entender os desafios enfrentados pelos pós-graduandos, incluindo pressões acadêmicas, solidão e preocupações financeiras. Os trabalhadores na pós-graduação são portadores do capital intelectual, mas estão longe de serem passivos diante dos desafios acadêmicos. Em outras palavras, o papel do trabalho intelectual na pós-graduação nunca é neutro; pode trazer tanto prazer quanto sofrimento, e como lidamos com essa dinâmica determina qual sentimento se destaca mais. Mas também há muito prazer em ser um trabalhador intelectual. A maneira como vivemos e produzimos juntos é um elemento essencial nessa equação. Fazer parte de um grupo acadêmico possibilita compartilhar conhecimento e reconhecer as contribuições individuais no desenvolvimento de uma convivência moldada por uma história compartilhada (Moraes, 2023).

Para alguns, a pós-graduação era um sonho inalcançável, uma meta de vida, um momento realmente de realização pessoal na construção de sua identidade, como é para David Hume: “Eu tenho o maior prazer de saber de estar aqui[...] de estar produzindo. Isso é algo assim. Eu estou realizando, né?”. Até mesmo um prazer voltado para a execução de suas atividades, como bem mencionado por Aristóteles: “o meu prazer assim está mais ligado ao estar no campo, a poder perceber questões teóricas. Quando a gente está no campo, ter o contato. As pessoas. É, então, isso para mim é muito”.

Por outro lado, é importante salientar que o processo pode ser também desgastante, chegando à perda desse prazer, como para Foucault: “E tem prazer? (Neste momento soltou uma larga gargalhada) Mas eu já... eu já perdi essa percepção faz tempo. De prazer, de prazer. Depois dessa pessoa, percepção questão [...] acho que existe um certo prazer. Mas é um prazer de ser reconhecido”. E que pode estar presente em todo o percurso vivenciado na pós-graduação ou somente em momentos como ao final de cada etapa concluída, como detalha Platão: “[...] olha, eu acho que no fim das contas, o maior prazer, assim que a gente tem é quando a gente conclui, né? Então é bom quando você, você consegue vencer etapas, você consegue finalizar uma disciplina que você consegue aprovar trabalho, seja num periódico ou em algum evento”.

A visão desses trabalhadores muitas vezes se resume a uma abordagem de recompensa quantitativa pelos esforços, onde o próprio processo nem sempre é valorizado. A existência de competição entre os trabalhadores intelectuais cria um ambiente propenso a problemas de saúde mental, já que a pressão por desempenho e o foco na quantidade gera sentimento de insegurança e nervosismo (Silva, Oliveira Farias, Damian, Brito, & Ottonicar, 2022). Seguindo uma perspectiva linear, desde o início até o fim, entrar na pós-graduação é associado ao prazer, enquanto todo o percurso é percebido como um processo doloroso, reconhecido como um "ritual de passagem".

A falta de apoio financeiro e, especialmente, de reconhecimento contribui para a visão de mais sofrimento do que prazer na pós-graduação, como menciona Kant: "[...] eu acho que se eu conseguisse ver mais prazer no que eu faço, seria mais tranquilo. - É por mais que a universidade às vezes ajude, não dá para custear tudo, então, tipo assim [...] é, se o dinheiro, vai dar para viver aqui [...] até o final, porque é uma cidade extremamente cara de viver [...] então, se tivesse facilitadores, né? Ao longo desse processo teriam mais prazeres do que sofrimento. Hoje eu enxergo a pós mais sofrimento do que prazer". Nesse contexto, a teoria de Dejours, reconhece que o foco excessivo na produtividade pode prejudicar a relação entre trabalho e bem-estar emocional. Por isso, é raro considerar o trabalho como um elemento que não influencia a saúde mental, visto que o ambiente de trabalho transcende a mera produção, envolvendo autoconstrução, transformação pessoal e formação de identidade (Dejours, 1999).

Não se trata apenas da falta de reconhecimento pelos esforços como trabalhadores. A perda da própria identidade como indivíduo impede esses pós-graduandos de terem uma experiência emancipadora, chegando ao ponto de se sentirem incapazes, gerando sentimentos de desvalorização do próprio trabalho. Nessas situações, desistir não é apenas um sinal; é a confirmação de que chegaram ao final, mas não com a sensação de prazer por ter concluído uma etapa, e sim com a materialização do sofrimento que isso acarreta.

Esse cenário reflete uma cultura de produtivismo e precariedade já existente no ambiente acadêmico, agravada pela chegada da pandemia da COVID-19. Houve diversas manifestações e reações, mas é unânime o sofrimento causado pelas pressões acadêmicas, como expressou Kant: “Na pandemia, enquanto eu estava surtando, eu fui conversar com o pessoal da pós. Eles tinham produzido excelentes artigos enquanto eu estava depressiva. Custando a entender o que estava acontecendo, eu me senti super mal por isso. A própria competitividade entre os alunos faz a gente ver o nosso trabalho como inferior, né?”. Enquanto isso, pesquisas já apontavam, antes mesmo do surgimento da pandemia, uma prevalência mais expressiva de questões relacionadas à saúde mental entre pós-graduandos em comparação à população em geral (Patrus, Dantas e Shigaki, H, 2015; Costa e Nebel, 2018).

Assim, os trabalhadores compartilham a preocupação geral sobre a sobrecarga de trabalhos fora da sala de aula, a leitura excessiva e a grande pressão para publicar artigos. Essa pressão vem de duas fontes principais: 1) do ambiente externo e 2) do ambiente interno. No 1) ambiente externo, agências de fomento e promoção da ciência no Brasil, como a CAPES, impõem métricas de produtividade. Além disso, familiares e a sociedade em geral esperam um resultado bem-sucedido, mesmo sem compreender totalmente o que acontece nesse processo. No 2) ambiente interno, as agências que promovem a pós-graduação estabelecem exigências específicas para os Programas de Pós-Graduação (PPG) alcançarem um alto padrão considerado de qualidade, e isso é repassado aos pós-graduandos.

Esses pós-graduandos, por sua vez, se cobram internamente para manter um padrão exigido e aceitável pela comunidade acadêmica, como ilustrado pela experiência de John Locke: "Eu quase desisti de continuar. Justamente por conta dessa questão de pressão, por não me achar o suficiente, por não gostar do que eu escrevi". Isso cria um ciclo vicioso. A pressão intensa por produtividade contribui para esse ciclo prejudicial, alimentando a cultura do "sempre mais", que, por sua vez, impacta negativamente a saúde mental dos trabalhadores. O foco excessivo na produtividade pode distorcer a relação entre o trabalho e o bem-estar emocional (Dejours, 2004, e Gaulejac, 2007).

 

CA 3: Impacto na Saúde Mental e Bem-Estar

 

Os relatos compartilhados por esses trabalhadores intelectuais refletem uma jornada que pode ser vista como muito prazerosa, mas que também desencadeia um grande sofrimento. Embora não haja uma fórmula mágica para passar por esse processo, buscar equilíbrio foi mencionado como uma maneira de vivenciar o trabalho e, finalmente, emancipar-se como indivíduo, como relata Sócrates: "Então, sempre que surge aquele sofrimento, eu fico pensando, pensando, pensando, porque o sofrimento não ajuda em nada? Ele só atrapalha, então eu acho que tem que tentar ter esse equilíbrio, porque se você começa a pensar demais no que está te preocupando, você nem consegue fazer alguma coisa".

Existem diversas formas pelas quais os pós-graduandos lidam com o impacto sentido durante a pós-graduação, desde passeios com os cães até conversas com familiares, todas contribuindo para aliviar a tensão das pressões acadêmicas, conforme mencionado por Kant: "Outra forma de eu lidar com o sofrimento foi o exercício físico. Foi uma maneira que eu encontrei quando começo a surtar com meus artigos; eu caminho, pego minha bicicleta, dou uma volta e continuo a escrever". São pequenas atitudes que moldam a relação com o trabalho. Portanto, fazer parte de um coletivo acadêmico permite a partilha de conhecimento e o reconhecimento das contribuições individuais, moldando uma sociabilidade influenciada por uma história compartilhada (Moraes, 2023).

Embora esse espírito altruísta não seja tão comum entre os pós-graduandos, não é por falta de vontade, mas sim pela dificuldade de se recuperar de tudo o que é vivido na pós-graduação. Relatos que vão desde ansiedade, depressão, uso de medicamentos até crises intensas de choro, sentimentos negativos e pensamentos de desistência são as experiências mais comuns quando questionados sobre os impactos da pós-graduação em sua saúde mental. É considerado até mesmo como uma dinâmica destrutiva, conforme expresso por Foucault: "É uma dinâmica destrutiva, né? Uma dinâmica. Isso afeta demais nossa saúde mental e nosso comportamento [...] levado para um quadro de depressão, ansiedade. Hoje não tenho mais depressão. Mas sofro de ansiedade. Assim, e agora no doutorado, também fiquei muito ruim". Esses relatos destacam como as condições de trabalho no ambiente acadêmico estão causando um sofrimento psicológico, corroborando a teoria de Dejours. Concluímos, portanto, que o trabalho nunca será neutro na condição laboral, enfatizando a relação intrínseca entre trabalho, saúde mental, prazer e sofrimento.

A dinâmica vivenciada pelos pós-graduandos, como afirma Dejours, não é uma postura passiva. A amplitude do que é o trabalho e as implicações na saúde desses trabalhadores perpassam por um processo de autoconhecimento. A pós-graduação, à primeira vista, pode ser compreendida apenas como o pior lugar para se estar, no entanto, o trabalho é fonte de realização, mas também de angústia, sendo isso fundamental para o desenvolvimento do conhecimento dos trabalhadores intelectuais.

Um passo importante a ser dado seria repensar a cultura acadêmica, buscando maneiras mais sustentáveis de promover a pesquisa e o desenvolvimento acadêmico, sem comprometer a saúde mental dos trabalhadores intelectuais. Alguns pontos de melhoria apontados pelos pós-graduandos incluem flexibilidade para entregar um artigo para duas disciplinas diferentes e a flexibilidade para abordar temas sensíveis que tratam da realidade do pós-graduando, como destaca Kant: "Trabalhar com temas mais próximos da nossa realidade, eu acho que é algo que traria uma leveza maior". Nesse contexto, podemos identificar as sugestões desses trabalhadores para vivenciar bem o processo da pós-graduação como um ato heroico de quem muitas vezes não se sente reconhecido.

Nas falas, percebemos que o simples ato de "escuta" faz toda a diferença nessa relação de prazer e sofrimento. A acolhida e o reconhecimento neste momento abrem espaço para o desejo de acolhimento, permitindo que eles expressem suas experiências sem pressões, trazendo à tona esse processo subjetivo que jamais poderá ser quantificado, apenas sentido, conforme destaca Foucault: "Devia ter mais ações, por exemplo, de extensão, mais comunicação com os alunos e ter suportes maiores, psicológicos, poderia ter. Uma atenção maior. Uma atenção efetiva com saúde mental".

John Locke complementa essa ideia, sugerindo que a universidade deveria oferecer mais questões de ajuda psicológica no núcleo, promovendo conversas e palestras para conscientizar os alunos sobre a importância do cuidado psicológico. Ele destaca que muitas vezes as pessoas só percebem que não estão bem quando atingem o limite, ressaltando a necessidade de cuidar da saúde mental desde o início. Em muitos casos, chega-se ao final do processo de pós-graduação e é somente nesse ponto que se reconhece o custo, o sofrimento e o prazer vividos. Apesar dos desafios para a saúde mental ao longo do caminho, o ambiente acadêmico proporciona encontros significativos e experiências valiosas que transcendem a obtenção de um diploma. Por isso, Kant enfatiza a riqueza das experiências além das formalidades acadêmicas, dizendo que "literalmente viver não cabe no lattes".

 

5.                  Considerações finais

 

A pesquisa teve como objetivos analisar o reconhecimento dos pós-graduandos como trabalhadores intelectuais e compreender como a dinâmica do trabalho acadêmico afeta a saúde desses profissionais. Este estudo mostrou que o primeiro passo é repensar a cultura acadêmica e encontrar maneiras mais sustentáveis de promover a pesquisa e o desenvolvimento acadêmico sem comprometer a saúde mental dos envolvidos.

Partimos do pressuposto de que ninguém se torna um trabalhador; você já o é. O que pode acontecer é desencadear um ritual social de reconhecimento do próprio indivíduo, uma vez que não há necessidade de demonstração, pois é um pressuposto do corpo humano – fonte geradora de conhecimento. A execução deste trabalho surge da inteligência do próprio corpo e não de reflexões convencionais. Portanto, o trabalho é vivo. Este estudo ofereceu também uma análise crítica e reflexiva sobre a realidade dos pós-graduandos, contribuindo para uma compreensão mais profunda dos desafios enfrentados no ambiente acadêmico brasileiro.

O trabalho intelectual desempenhado pelos doutorandos revela-se fundamental não apenas para o desenvolvimento pessoal, mas também para a emancipação do indivíduo. Isso evidencia sua experiência subjetiva, que integra o prazer e o trabalho na busca pela emancipação. Essa abordagem não apenas ressalta o potencial de prazer nas atividades de pós-graduação, mas também reconhece que tal empreendimento pode desencadear sofrimentos criativos. Ao identificarmos padrões comuns entre os pós-graduandos, observamos que a falta de reconhecimento enquanto trabalhadores intelectuais limita sua compreensão da dimensão emancipadora do trabalho. A ausência desse reconhecimento contribui para o surgimento de várias patologias, algumas temporárias e outras mais severas e persistentes, impactando a saúde mental e, por conseguinte, o desempenho acadêmico.

Ao explorar as dimensões de prazer e sofrimento, conforme a abordagem de Dejours, percebemos que os pós-graduandos enfrentam pressões tanto do ambiente externo quanto interno, evidenciando o trabalho como fonte de realização e angústia, na promoção do desenvolvimento do conhecimento. Portanto, a busca pelo equilíbrio parece quase como um ato altruísta, algo que nem todos conseguem alcançar. Dito isto, a necessidade de manter essa balança entre as demandas acadêmicas e a saúde mental é um desafio constante, mas essencial enfrentado pelos doutorandos do PPGA.

Seguindo esta premissa, a pesquisa contribuiu para apontar a necessidade de uma mudança na cultura organizacional, destacando a pressão por produtividade e a falta de reconhecimento como áreas de melhoria. Isso pode levar a uma reflexão crítica sobre as políticas e práticas institucionais no ambiente acadêmico. Bem como, para destacar a importância do suporte psicológico para os pós-graduandos, sugerindo a implementação de medidas para promover a saúde mental. Isso pode levar a Universidade e o PPGA a considerarem a inclusão de serviços de aconselhamento e suporte emocional como parte integrante do ambiente acadêmico, podendo ser realizado online ou de forma presencial, assim como a possibilidade de grupos de pós-graduandos guiados sob a luz da teoria psicodinâmica do trabalho de Dejours, oferecendo suporte teórico, prático e assistencial.

Com base nos achados e nas lacunas identificadas na pesquisa sobre as condições de trabalho e experiências dos pós-graduandos, diversas áreas com potenciais direções para investigações futuras foram identificadas. Por exemplo, o impacto das políticas institucionais é um importante caminho para futuras pesquisas, visando investigar de que maneira essas políticas influenciam as experiências dos pós-graduandos, abrangendo aspectos como financiamento, prazos de conclusão, suporte à saúde mental e reconhecimento do trabalho acadêmico. Outro aspecto importante é realizar um estudo comparativo internacional para analisar as variações nas condições de trabalho e experiências dos pós-graduandos entre diferentes países, considerando elementos como cultura acadêmica, sistemas de financiamento e estruturas de apoio.

Por fim, propõe-se utilizar uma perspectiva intervencionista para melhorar a saúde dos pós-graduandos, desenvolvendo e avaliando intervenções específicas voltadas para aprimorar a saúde mental dos trabalhadores intelectuais. Isso pode englobar programas de suporte psicológico existentes tanto no âmbito global da universidade quanto os existentes no PPG, workshops de gestão de estresse e estratégias para fomentar um equilíbrio saudável entre vida acadêmica e pessoal.

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