La práctica de benzimento y la actuación de benzedeiras en Brasil

SP.14: Etnografiar la transformación: géneros, patrimonios y rituales en Latinoamérica

Ponentes

Nombre Pertenencia Institucional
Mariana de Carvalho Ilheo Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)

A prática de benzimento e a atuação de benzedeiras no Brasil [1] 

 


Introdução

 

 

Com base em pesquisas realizadas durante os últimos anos [2], o benzimento pode ser entendido como uma forma artesanal de produzir benção e cura por meio de gestos, orações e procedimentos que podem envolver diferentes ressignificações de coisas – para uso doméstico, como fios, agulhas, abas de tecido e copos; religiosos, como rosários, imagens, objetos e substâncias consagradas; plantas e outros elementos naturais, entre outros. Considerando uma visão holística de estar no mundo, o ritual é operado por meio de ações e materiais específicos em conjunto com o conhecimento prático associado ao dom e à experiência divina dentro de um sistema de trocas de modo a conectar pessoas, coisas e forças sagradas.

A partir disso, entendo que o verbo benzer designa ações específicas em função do que deve ser tratado: cortar, puxar, tirar, queimar, etc. Combinadas às orações e aos procedimentos, associados ou não ao uso de objetos, é que o ritual se realiza. As ações especificam as coisas utilizadas pela correspondência entre o que e como curar. Essas coisas podem variar em sua composição, tamanho e origem e são selecionadas por sua aplicabilidade. Com sua inserção no fluxo ritual, depois de consagradas, passam a estar destinadas exclusivamente a tal fim. Assim, os agentes da benzedura combinam a prece, também técnicas corporais por meio de suas habilidades desenvolvidas e de tecnologias distintas para fazê-lo da melhor forma. Ou seja, o conhecimento das doenças e respectivos procedimentos curativos, das coisas e de como, através do ritual, tudo isso é combinado e se transforma [3]. Do mesmo modo como a realidade vivida é transformada pela produção de curas e bênçãos. A percepção da doença implica na ação para eliminá-la, por meio do ritual e com o auxílio da habilidade e, ocasionalmente, dessas coisas.

Este trabalho tem como objetivo apresentar a benzeção e as transformações da prática ao longo do tempo, chamando a atenção para a importância das benzedeiras para a sua manutenção e para a transmissão de conhecimentos no desenvolvimento das habilidades para fazê-lo. Nesse sentido, pretende mostrar que a atuação de mulheres benzedeiras atravessa a formação social e a cultura regional, com sua contribuição para a manutenção do equilíbrio da vida humana incluindo a saúde e tanto quanto as relações interpessoais ou com a natureza e o sagrado; mas também por sua contribuição para a preservação da memória e dos ofícios tradicionais, religiosos ou não, atuando como mediadoras na transmissão do saber-benzer.

Ele apresenta os resultados da pesquisa de mestrado Benzimento em movimento: materialidade, bênçãos e curas no sul de Minas Gerais [4], cujo recorte foi inspirado pelo fluxo de pessoas e de coisas mediado pelo ritual, assim como a atualização da prática ao longo do tempo, acompanhando transformações nos modos de vida. O objetivo de tal pesquisa girou em torno da compreensão dos modos como se materializam bênçãos e curas, acionando diferentes concepções de corpo e aflição em uma microrregião caracterizada por economia agrícola e composta majoritariamente por pequenos municípios [5], onde também o benzimento orienta o fluxo e o movimento através do espaço.

A dissertação foi tecida a partir de questões mais gerais postas pelo fenômeno em relação a uma trama local, chamando atenção para linhas variadas que se emaranham graças à ocorrência da benzedura. Isso foi possível ao combinar uma revisão bibliográfica que lança as bases para a compreensão dos significados, das tecnologias e das transformações dos entendimentos sobre o fenômeno a partir de diferentes quadros analíticos, com a pesquisa etnográfica – o que inclui fontes escritas, conversas formais e informais, aplicação de questionários e observação participante numa etnografia multissituada. A metodologia possibilitou evidenciar essas coisas, chamando a atenção para sua circulação e para como diferentes tipos de mídias e materiais informam a percepção sensorial do fenômeno. Com isso, discutir as correspondências entre propriedades simbólicas e materiais, potenciais de mediação e problemas em conjunto com as competências desenvolvidas por cada benzedeira ou benzedor – quando as coisas se tornam tecnologias para benzer, relacionadas à produção de bênçãos e curas neste contexto.

A ampliação na percepção do fenômeno para além das fronteiras entre magia e religião ressoa o fato de que a grande maioria das pessoas envolvidas reconheceu a importância do benzimento para a saúde coletiva e também como patrimônio cultural imaterial local. o que pôde ser visto com o repertório de experiências reunidas por pessoas residentes na região que, independente de serem adeptas ou não no momento da pesquisa, afirmam conhecer ou ter conhecido algum especialista durante sua vida, a maioria tendo benzedeira ou benzedor na própria família. Outro aspecto relevante observado foi uma redução de frequência nas visitas a esses especialistas quando se compara o período da infância e da idade adulta – o que pode indicar que muitas dessas pessoas eram levadas por seus parentes, mas deixam de ir quando se tornam adultos; com exceção das que têm filhos, quando a frequência se mantém constante e a adesão ao ritual é herdada como um hábito.

Em linhas gerais, o perfil dessas pessoas variou entre pessoas brancas em maior número, seguidas de pardos e negros; um maior número de mulheres, sendo a escolaridade média geral entre o nível superior e a pós-graduação. Em síntese, o que se notou foi que uma pequena parte delas afirmou não faz algum uso de plantas medicinais, embora tenha mencionado o uso sem reconhecê-lo enquanto medicinal. A maioria das pessoas identificou a prática de benzedura com a religião e a espiritualidade – em um contexto no qual a maioria se considera religiosa, sendo que metade relatam frequentar alguma instituição católica e outra parcela declarou ser adepto do ritual apesar de não frequentar nenhuma instituição religiosa. Assim como a sobreposição das alternativas religiosas às quais são adeptas, o trânsito religioso identifica pessoas egressas do catolicismo que passam a frequentar instituições umbandistas, espíritas, candomblecistas e espiritualistas. Entre esse movimento, a adesão deixou de ser um aspecto positivo entre pessoas que se tornaram evangélicas ou carismáticas. Portanto, somente a religião não é suficiente enquanto categoria analítica para compreender um fenômeno tão dinâmico, variado e antigo.

Com minha própria inserção e o circuito percorrido na região, foi possível ampliar essa percepção através de relatos de pessoas acionadas através de minha rede de contatos e de suas relações – privilegiando esse fluxo da prática em detrimento de um espaço vivido a partir da circulação no sul de Minas. Isso deu bases para a constituição de um quadro de especialistas a partir dessa malha de interlocutores e do levantamento realizado para mapear as ocorrências, considerando relatos e experiências, e também a materialidade das documentações sobre sua ocorrência. A amostra desta pesquisa contempla um total de dezessete casos, sendo dez benzedeiras e sete benzedores identificados no circuito percorrido. Sua distribuição está entre tais lugares, que constituem um espaço a partir da qual essas pessoas transitaram ao longo de suas vidas, tanto na zona urbana (12) quanto na zona rural (5). Todos têm mais de 50 anos e alguns já falecidos. A esse ofício se sobrepõem outras atividades, como: foliões, especialmente vinculados às Folias de Reis (3); ervateiros (2); parteira (1); cartomantes ou videntes (3). As pessoas adeptas, especialistas e leigos, se distribuem entre as localidades da região, o que demonstra o trânsito de coisas por entre lugares, na medida em que elas tecem suas próprias tramas. Então, a pesquisa ainda é multissituada espacialmente e pretendeu captar justamente o movimento nessa microrregião considerando a perspectiva do fluxo da benzeção.

Essa trajetória de pesquisa – interpelada pela própria trajetória pessoal e familiar, nessa mesma região –, por sua vez, é continuidade de trabalhos desenvolvidos durante a graduação, sendo inicialmente motivada pelo interesse em pensar sobre tensões em torno de sua ocorrência e continuidade, dos significados e das condições de sua realização, assim como dos elementos do processo ritual – formas de iniciação e transmissão, espaços, símbolos e materiais [6]. Apontando para uma economia de dádiva no âmbito da comunidade e para a atuação de agentes populares em relação à dinâmica do campo religioso, foi possível iniciar um mapeamento de benzedeiras e benzedores. Daí se observou a relação desta prática com outros rituais da religiosidade, especialmente relacionados ao catolicismo popular, como as Folias de Reis; e outros ofícios e saberes tradicionais, como os ligados à saúde a exemplo dos usos de ervas medicinais. As investigações foram mostrando a sobreposição da benzedura a outras especialidades, uma conjunção de saberes em torno de acolhimento, cuidado e dádiva – não necessariamente associados à religiosidade, mas inevitavelmente por ela perpassados na medida em que o sagrado se faz constante na vida cotidiana local.

Isto foi verificado no caso de benzedeiras atuantes como parteiras e ervateiras: as “senhoras do sagrado, médicas do povo” [7], especialistas em tratar não só dos corpos de mães e crianças, mas também da manutenção da saúde familiar como um todo, já que poderiam lidar com problemas de diferentes ordens; através desses espaços de socialidade exclusivamente femininos, se estabelece a circulação de saberes e memórias pela oralidade e entre gerações. A atuação dessas mulheres, apesar de ter sua ocorrência associada a um modo de vida “rústico”, se faz bastante atual no contexto citado, já que isso viabiliza a produção de afetos entre as benzedeiras e mulheres assistidas, articulando uma rede de apoio pela qual podem circular ainda objetos de uso religioso ou terapêutico, e itens de subsistência para prover necessidades básicas.

O que tenho argumentado é que, assim como outras atividades artesanais, o saber-benzer se constitui pela experiência e combinação de conhecimentos não institucionalizados – tendo, segundo o que se entende como tradicional, na oralidade e relações comunitárias suas principais formas de transmissão [8]. Portanto, entende-se que a “arte de benzer” não produz mercadorias, e sim bênçãos e curas em regime de dádiva; princípio que remete a um vínculo estreito com o sagrado que legitima a habilidade como um dom importante para sua realização. Compreender a prática em sua lógica artesanal significa reconhecer seu potencial transformativo e sua dimensão criativa, já que o fenômeno pressupõe uma abertura em diversos sentidos. Primeiro, para identificar o problema, seus sintomas e causas – em direção ao corpo de quem sofre. Depois de enquadrá-lo a partir da inter-relação entre problemas de ordem física, psíquica, espiritual e social, tratá-lo e ampliar noções que envolvem a saúde, o corpo e a doença.   Segundo, uma abertura ao sagrado, na medida em que o corpo que benze opera como seu veículo, emanado pelas orações e gestos; isso possibilita reconhecer uma gama mais abrangente de doenças, assim como tratá-las tanto com elementos da fé, como medicinais. Por fim, rumo a uma percepção afinada dos materiais que diz respeito não somente aos usos e manuseio, mas a suas propriedades materiais e simbólicas. Tal habilidade diz respeito à imposição de mãos e uma boa reza, tanto quanto ao conhecimento dos materiais associados ao dom divino. Isso envolve a forma como todos os elementos são amarrados para resolver questões do ser no mundo. Esses arremates aproximam corpo e alma, simbólico e material, humano e não humano; eles estão alinhados a uma perspectiva holística que orienta a prática. Dito de outra forma, a prática visibiliza vinculações entre corpos, saberes, habilidades e materiais em relação ao sagrado, ao ambiente e a seres não humanos.

Com a incorporação da benzedura em outros sistemas de circulação, se coloca uma tensão frente a novos meios e as condições para sua realização. Se, por um lado, há uma percepção por parte de pessoas adeptas de diminuição de “benzedores antigos”, especialmente daqueles que compartilham critérios considerados dentro dos parâmetros tradicionais locais, em resposta a isso surgem iniciativas de resgate e preservação, reconhecendo sua importância histórica e social relacionada a aspectos culturais, medicinais ou religiosos e espirituais. Por outro, com sua difusão em contextos digitais – o que envolve tanto a realização do ritual como a transmissão do saber-benzer, seja autorregulada ou mediada por outra pessoa especialista – cria novas possibilidades criativas para sua realização; ao mesmo tempo em que esse novo cenário cria também novos impasses e paradigmas, como as estratégias de divulgação; as formas de transmissão; o perfil de especialistas; os tipos de atendimento e interação; as tecnologias, materiais e meios mobilizados para benzer; a associação com outras práticas ou rituais; a transformação da dádiva em prestação de serviços ou mercado, entre outros fatores [9].

 

Benzimento no Brasil

 

No contexto brasileiro, a presença de benzedeiras e benzedores é relatada desde o período colonial, considerando a diversidade regional e as influências de diversas tradições culturais para atuar no limiar entre a magia e a religião – além da sobreposição deste ofício com saberes sobre o uso de ervas, rituais e simpatias para a proteção e a cura, tanto do corpo como de problemas espirituais [10]. Apesar de estar à margem da institucionalidade religiosa e de mobilizar elementos simbólicos e materiais específicos a partir de seu repertório de crenças, observa-se sua difusão e ampla adesão da prática, sendo entendida como manifestação cultural tradicional – socialmente aceita entre todas as camadas da sociedade brasileira, ora vista como uma modalidade de “magia branca” e ora associada à religiosidade sincrética, mas também como um procedimento terapêutico [11].

Mesmo com esforços pela criminalização de práticas mágico-terapêuticas populares, a benzeção tem lugar ambíguo na formação social brasileira por sua ligação com a fé, especialmente de aspectos como a devoção aos santos e entidades, comunicação com o sagrado e aproximação com elementos da natureza; assim foi que alcançou legitimação como alternativa acessível à ampla maioria da população – especialmente no interior rural. Ao longo do século vinte que o tema passou a ser objeto de interesse científico e surgiram os primeiros estudos sistemáticos, apontando para variações locais em retrospecto. Por um lado, em relação a estruturas universais do pensamento simbólico humano – lida localmente como parte do catolicismo popular, cuja característica principal é o sincretismo. Por outro, também a associação com feitiçaria e bruxaria à qual se sobrepõe sua leitura enquanto uma forma de crendice ou ignorância, ambas mobilizadas como categorias acusatórias e que convertiam sua realização em alvo de estigmas e perseguições no plano das comunidades, onde eram figuras de poder [12].

Entre o folclore e a antropologia [13], a discussão sobre o fenômeno enquanto cultura popular se deu em um momento em que começou a ter também respaldo legal para sua presença, respeitando direitos constitucionais como o respeito à diversidade cultural e a liberdade religiosa [14]. Nesse sentido, os aspectos tidos como tradicionais passam a ser identificados e inventariados, visando a preservação da prática frente à modernização e à industrialização do país, substituindo um modo de vida rural atravessado pela manufatura e pela agricultura de subsistência. Além de aspectos do ritual, como suas etapas, passaram a ser descritos os símbolos e materiais utilizados, as relações de troca e de transmissão dos saberes, entre outras particularidades; tais investigações locais, lidas em complemento a esse esboço de “teoria geral” do benzimento em vista dos aspectos constantes que estavam sendo notados.

Desde os anos noventa, nota-se uma abertura para o reconhecimento e inclusão de saberes tradicionais e práticas medicinais alternativas, em uma interface mediada pela antropologia médica que contribui para alargar as concepções acerca da doença e dos processos terapêuticos, assim como possibilitar a análise dos rituais curativos inseridos em seus respectivos sistemas culturais [15]. Entre as comparações possíveis com a benzedura, aparecem tentativas de produzir simetrias entre outros sistemas – como a bruxaria [16], a psicanálise e o xamanismo, sobretudo como uma apropriação da teoria levistraussiana [17]. Observou-se ainda o cruzamento entre o pluralismo religioso nos fenômenos populares e a espiritualidade atravessada pela Nova Era; isso acompanha não só uma transformação tecnológica como também ampliação das conexões estabelecidas através desse ritual a fim de entender e tratar problemas biopsicossociais [18].

Em meio a reavaliações críticas sobre os impactos do sistema capitalista e problemas estruturais acarretados pela expansão do mercado – além de um aumento sobre os estudos, ultrapassando fronteiras entre os campos de conhecimento e passando a ser objeto de interesse muito além das ciências sociais e humanas – tem-se a ampliação de direitos resguardando adeptos; sua incorporação como pauta por movimentos sociais e identitários. A visibilidade se torna cada vez maior ao passo que benzedeiras e pesquisadores se inserem na esfera pública na esfera pública a fim de disputar esses processos de significação [19].

Durante as últimas três décadas, esse processo de resgate da benzeção se traduz na promoção de ações para salvaguarda e preservação, tanto quanto para assegurar condições necessárias à realização do ritual, além de sua transmissão. Isso vai de encontro ao que desponta como a institucionalização dessa prática, e que vai se desdobrando em algumas frentes; movimento que cruza o campo acadêmico, educacional, religioso, político e a esfera pública, somando-se iniciativas individuais e também coletivas espalhadas do norte ao sul do país. Como institucionalização, refletindo aspectos observados empiricamente, se entende as tentativas de “oficializar” ou alcançar validação institucional para o fenômeno, que tem sua legitimidade constituída na ordem da tradição. Isso engloba esforços para obtenção de respaldo jurídico para sua ocorrência, considerando direitos individuais ou coletivos – e, nesse sentido, os dilemas práticos atravessam dimensões fundamentais como a saúde, a religião, a educação, as condições materiais de vida, entre outras. E engloba formas de entendimento que vão sendo aos poucos incorporadas por especialistas e adeptos na formação de sentido, o que contempla uma tentativa de definição estrita do fenômeno sem desconsiderar a variação como uma característica, já que depende do que cada especialista pode fazer e da forma como o faz, mas também uma padronização ou normatização para que possa eventualmente sofrer algum tipo de regulação – pautada nos mesmos critérios jurídicos em vigência nas esferas federal, estadual, regional e local.

No âmbito do Estado, isso ocorre primeiro com o seu reconhecimento da importância da dedicação de benzedeiras e benzedores às tarefas relacionadas ao ritual, o que mostra que o reconhecimento da especificidade do trabalho reforça a sua expressão como um ofício tradicional, assim como assegura os respectivos direitos garantidos à sua prática por qualquer pessoa que possua o dom ou que tenha se iniciado e desenvolvido no saber-benzer [20].

 Esse reconhecimento também tem sido feito pela medicina, considerando o benzimento enquanto prática alternativa ou complementar, assim como sua inserção em instituições de saúde enquanto uma modalidade legítima no auxílio ao tratamento das pessoas assistidas em hospitais e unidades públicas. Muito além do sincretismo entre elementos ibéricos, africanos e indígenas, uma aproximação com a noção de espiritualidade aplicada à saúde joga luzes para a sobreposição da benzedura a práticas como o Reiki [21], mas também fitoterapia ou aromaterapia, entre outros.

Outra forma de alcançar o reconhecimento é através das políticas culturais – o que acontece por meio iniciativas dedicadas do benzimento situadas em escalas locais, seja uma região [22], um município [23] ou um estado [24], mas não uma iniciativa coordenada a nível federal ainda que sua ocorrência seja documentada transversalmente em inúmeros inventários realizados para outros bens culturais. Mesmo assim, esse reconhecimento público do fenômeno reflete sua expressão enquanto parte da vida do povo brasileiro de uma ponta à outra do país e reitera sua importância. Isso pode se dar diretamente através da expressão do saber-benzer como um ofício tradicional [25], ou indiretamente por meio de sua associação com espaços, celebrações ou práticas tradicionais regionais; com isso, seu valor enquanto Patrimônio Cultural Imaterial em distintas localidades se demonstra. Além do reconhecimento de sua importância histórica, tem-se o reconhecimento das pessoas detentoras do saber enquanto Patrimônio Vivo. Ou seja, o bem cultural pode ser o ritual, as habilidades mobilizadas e o saber-benzer ou a pessoa que o realiza.

Esse resgate também aparece em movimentos orgânicos e organizações para promover sistematicamente a realização e a transmissão de benzeção, enquanto parte de esforços coletivos e mesmo individuais que se convertem em iniciativas de contribuir com sua salvaguarda. Para tanto, a mobilização de retomada de memórias e experiências subjetivas que envolvam os atravessamentos entre a prática e trajetórias individuais, familiares e comunitárias, se soma à ampliação das possibilidades de realização com a sua difusão pela internet, mediada pelas tecnologias digitais a fim de garantir sua manutenção no mundo contemporâneo. Disto resulta a constituição de espaços terapêuticos autônomos e escolas, espaços de aprendizado e vivência onde a prática é feita e ensinada. Consecutivamente, multiplicaram-se ainda compilações e manuais descritivos de como realizar a prática [26], formulados por figuras nodais, tidas como especialistas de referência e que, em alguns casos, se projetam como produtores de conteúdo online. Tais livros passam a ser utilizados como material formativo para novos profissionais do benzimento em tais espaços.

Outras iniciativas ocorrem através das redes sociais, com a combinação de uma prática tradicional transmitida oralmente, revelada, herdada ou aprendida através da iniciação ritual com tecnologias digitais que produz um cenário inédito no qual a tradição é constantemente ressignificada para acontecer através de outros meios e mediações – como o celular, o computador e outros dispositivos eletrônicos. Online pode-se encontrar um volume significativo de conteúdo especulativo, informativo e formativo: reportagens, relatos, transmissões ao vivo e profissionais inseridas nesse campo, além de páginas ou perfis dedicados a compartilhar informações relacionadas ao tema, mas também de conteúdos aleatórios para gerar engajamento. Neste novo contexto, as formas de apresentação e a reinvenção da prática mobilizam recursos como criação de páginas, grupos, canais, sites, aplicativos, entre outros para a produção e a reprodução da prática, com as novas formas de transmissão, divulgação e iniciação [27].  

As redes sociais mostram-se uma via para que adeptos e simpatizantes se conectem e formem espaços de discussão, grupos ou uma rede para a troca de experiências. Surgem comunidades de pessoas em torno da identificação com a prática – que podem ser descentralizadas, com o compartilhamento de conteúdo, relatos e pedidos de ajuda, como dicas para procedimentos e envio de rezas sem mediação, ou centralizadas a partir de um agente da benzedura. Além disto, elas sem tornam ferramentas para a realização de atendimentos, já que as benzedeiras e benzedores aderem às plataformas criando perfis para compartilhar e produzir conteúdo sobre o tema. Como um meio de divulgar sua atuação e agregar seus clientes, filtram o conteúdo externo e veiculam materiais autorais; além de agenciar uma rede de seguidores, ofertam cursos e palestras. Então este também passa a ser um meio de formar novos sujeitos benzedores, multiplicando pessoas detentoras do saber-benzer pela internet [28].

Pensando na produção, consumo e mercado de bens religiosos, a relação entre tradição e o processo de modernização da benzedura é atravessado pelas práticas “tradicionais”, “esotéricas” e “neo-esotéricas” de modo a produzir uma tensão sobre a legitimidade do ritual a diferenciar os tipos de especialistas, contrastando o sistema de dádivas e as tecnologias tradicionais com o mercado de bens espirituais ou a prestação de serviços terapêuticos. Em face de uma reorganização do campo religioso latino-americano diante de uma adesão fluída, da desinstitucionalização crescente e dos efeitos das dinâmicas globais transnacionais [29].

Esse processo de reinvenção mostra uma mudança de idade no perfil dos agentes, assim como a mudança nos espaços de realização – shoppings, instituições, espaços, associações, lojas – e meios de divulgação como classificados em periódicos, folhetos e panfletos, incorporando estratégias de propaganda e marketing digital. Assim, na periferia das grandes cidades, como no interior rural, as práticas de benzeção se aproximam mais de uma perspectiva tradicional, com os agentes atendendo em suas casas ou em lugares de culto religioso, em um regime que se aproxima da religiosidade popular; já nos grandes centros, a benzedura estaria cada vez mais associada à chamada Nova Era e à crescente tecnologização da experiência ritual [30]. Dito isso, o primeiro aspecto relevante é uma alteração organizacional, evidenciada pelo surgimento de equipes corporadas e atendimentos coletivos, e deixando a prática de ser exclusivamente realizada por agentes autônomos auto-organizados [31]. Estes “grupos lábeis” [32] contribuem para a criação e transmissão de crenças e práticas vividas cuja relevância é social e individualmente reconhecida. De existência permanente ou sazonal, se distanciam das instituições religiosas em cenários sociais diversos, podendo ser liderados por agentes laicos ou “seculares”. Essas organizações podem ser itinerantes ou ter sede física em algum local, mas é nas redes sociais que elas se ramificam em simbiose com ferramentas de criação e formação de vínculos. Ou com a centralização dessas atividades a partir de “agentes nodais” [33], que tecem uma trama para divulgar o conteúdo autoral produzido, divulgando e realizando e o trabalho de benzer mediado pela internet; ou comunidades de simpatizantes nas plataformas digitais, com maior ou menor nível de interação.

Daí emerge o que se entende como “benzimento moderno”, evocando disputas e negociações na construção retórica da identidade de benzedor ou benzedeira e de sua autenticidade, além de transformações tecnológicas e nos próprios entendimentos sobre o fenômeno. Tem-se um grande número de pessoas autoidentificadas como “benzedeiras modernas”, especialmente mulheres, engajando-se política e publicamente pelo resgate da prática, atuando entre espaços, ampliando tanto os usos de tecnologias digitais quanto os sentidos do ritual. A partir das redes sociais, as chamadas “benzedeiras modernas” visam promover o “despertar” de tal habilidade através de uma conexão espiritual holística com a sacralidade de categorias êmicas como “saberes ancestrais” e “sagrado feminino”.

Essas mulheres emergem como mediadoras da circulação de memórias e experiências presencialmente, mas também agenciando a formação de novos agentes e engajando sua clientela através da internet. Com isso, são acolhidos novos sujeitos benzedores que não necessariamente são detentores de um dom, mas que passam por um processo de “educação da atenção” através do qual desenvolvem uma habilidade progressivamente [34]. O que interessa é a continuidade dessa tradição, atribuída a uma linhagem ancestral e, com isso, restauração da conexão com a natureza e com o sagrado. Primeiro, reconhecendo-se enquanto parte de um ser vivente que é a Terra e, a partir disso, reconhecer a sacralidade de sua própria capacidade de produzir vida – ligada ao ventre e à ideia do sagrado feminino. Depois, deslocando o poder divino de um plano transcendente para o imanente. A iniciação, portanto, deixa de estar condicionada ao dom divino e passa a ser trabalhada a nível subjetivo, com o “despertar” de uma consciência não somente corporal, mas cósmica. Seu caráter de dádiva é mantido pela sacralidade deste processo como uma forma de autoconhecimento, associada ao equilíbrio energético, físico, psíquico e espiritual.

Essa dinâmica evidencia ainda a disputa em torno da identidade das benzedeiras pautada pela articulação entre tradição e modernidade e envolve, entre outras coisas, a reconfiguração do campo religioso latino-americano [35]. No que se refere a um sistema de classificação, notou-se uma diferenciação hierárquica sustentada pelo contraste entre um “benzimento autêntico” e as deturpações deste tipo, tornando-se “outros benzimentos”. As variações nos modos e tecnologias de benzer vão do modelo tido por tradicional, associado ao catolicismo popular, à sua intersecção com outras modalidades terapêuticas tradicionais e orientais, místicas ou esotéricas – em uma interface com a Astrologia, o Reiki e outras práticas, resultando em práticas híbridas como o fitobenzimento ou o benzimento xamânico. Portanto, a representação dos benzedores e benzedeiras como idosos, católicos e circunscritos em um ambiente rural não é suficientemente satisfatória para compreender o fenômeno hoje em dia. Outro aspecto relevante é a emergência de categorias como “benzedeira moderna” ou “benzedeira urbana” que, na maioria das vezes é reivindicada por meio da identidade de “neta de benzedeira”, mas também pode estar associada a uma apropriação do termo “bruxa” em função de uma identificação identitária. E aqui se sobrepõem as figuras da “bruxa moderna” e da “benzedeira moderna”, evocando representações coletivas como curandeiras, parteiras e bruxas para, com isto, subverter os estigmas e opressões forjadas contra mulheres pelas estruturas de poder ao longo da história. Mulheres que desempenham papel fundamental não somente na manutenção do corpo no mundo, mas na produção de novas benzedeiras com a circulação intergeracional de memórias femininas, narrativas sobre suas experiências e trajetórias.

Acompanhar o fluxo do benzimento, por sua vez, implica em perceber transformações desafios no plano empírico diante de novas configurações e impasses; mas também no plano metodológico, com a criação de estratégias para acompanhar sua ocorrência nestes termos. O que inclui entender como as tecnologias digitais e os usos de redes sociais são mobilizados. Portanto, o que tem se mostrado interessante é menos enquadrar o fenômeno em termos da dissolução de um modelo tradicional do que atentar para seu fluxo, considerando a própria trama do ritual, a diversidade e as disputas através de seus “nós”. Ou seja, pensar o tema não a partir da perda, mas da dinâmica associada a mudanças sociais de diversas ordens – como a multiplicação de alternativas no campo religioso, o estabelecimento da medicina clínica, a urbanização e outras transições para o mundo global, como a consolidação e crise do capitalismo. Mas também a sua dimensão criativa e os aspectos envolvidos com as tecnologias de benzer.

O movimento dessas linhas mostra, em primeiro lugar, como a prática se descola da associação com uma ausência de mediação institucional e passa a o epicentro de políticas públicas, bem como ganha evidência no espaço público. Depois, evidencia de que forma o saber benzer, os modos e as tecnologias de benzer são impactados tanto pelo desenvolvimento tecnológico como pela dinâmica do campo terapêutico em relação à oferta de bens espirituais no campo religioso. Olhar para os processos que modulam essa reinvenção permite compreender o novo contexto de atuação ligado à vida urbana e uma transição que incorpora tecnologias escritas e digitais; além de um deslocamento da ideia de religião para a de uma espiritualidade individualizada. Efeito disso é a desconstrução de um referencial bíblico e cristão como autentico, reconhecendo a diversidade no plano da religiosidade popular e sua identificação enquanto prática tradicional com um sistema de dádivas que vai além da religião para promover o cuidado. Assim, recuperando experiências e influências simbólicas e materiais colocadas em segundo plano ao longo de nossa história social. No entanto, é impossível desconsiderar aspectos como relações de poder e processos como a desterritorialização simbólica e cultural, ou a forma como se reorganizam as relações frente às tensões entre as escalas global e local.

 

 

Considerações Finais

 

A prática de benzimento é marcada pela diversidade cultural e histórica brasileira e se reflete na identidade coletiva não só no âmbito local, em relação à uma comunidade, como na manutenção da vida em seu sentido mais abrangente. Isso porque tem a ver suas múltiplas dimensões, coletivas e subjetivas – como o bem estar físico, psicológico e espiritual, assim como o equilíbrio em relação ao contexto em que algo ou alguém se insere, contribuindo para um equilíbrio total. Além de reforçar a relação com dinâmicas sociais, políticas, econômicas, tecnológicas, entre outras, o tema permite refletir sobre transformações culturais, especialmente no que toca a uma prática popular secular e as mudanças pelas quais passam as condições materiais para sua realização. Essa importância cultural se reflete tanto na adesão de diferentes públicos, como nas transformações do ritual no mundo contemporâneo – movimento que envolve incorporação de novas mídias, diversificação dos perfis de especialistas, a intersecção deste com outros rituais, ou ainda a atualização do repertório de cuidados relacionados a novos problemas emergentes. E, no Brasil, também fica comprovada com o seu reconhecimento recente enquanto ofício tradicional, passando a figurar legalmente como trabalho efetivamente; como patrimônio cultural imaterial, seja por meio da interseção com outros ofícios ou celebrações, de saberes ou das pessoas detentoras; ou enquanto modalidade de prática alternativas de cura, incorporada pelo campo da espiritualidade.

A presença de benzedeiras, por sua vez, revela muito mais do que a importância da benzedura no cotidiano – verificada por uma extensa lista de referências bibliográficas e documentada por iniciativas de preservação situadas localmente. Entre os resultados da pesquisa, pode-se observar primeiramente que as benzedeiras, especialmente mulheres idosas, são referências culturais e de importância para a formação de imaginários sobre os domínios da saúde, da religiosidade e da magia. Elas aparecem como mediadoras de relações sociais e especialistas em tratar um amplo repertório de problemas; mas sobretudo contribuindo com curas e bênçãos tanto quanto com bens de subsistência e tecendo uma rede de cuidado. Em alguns casos há a sobreposição de habilidades com a especialização no tratamento do corpo feminino, o que inclui de dores a problemas relacionados à gravidez e ao parto, estendendo sua atenção a crianças e suas famílias; junto a isso, se estabelecem espaços de troca e circulação de saberes entre mulheres através dos quais ofícios tradicionais podem ser ensinados. Nesse sentido, também se observa que a atuação de mulheres é essencial para a transmissão geracional da prática da mesma forma que marca muitas memórias e experiências.

Acompanhando as transformações do mundo e dos modos de vida, a benzedura se atualiza e passa a colocar novas questões; diante disso, se nota um movimento de resgate a fim de recuperar essa importância e construir narrativas sobre os entrelaçamentos possibilitados pela prática ritual visando preservar e promover o saber-benzer. Assim, a formação de novas benzedeiras se torna uma demanda, à qual responde a projeção de mulheres mais jovens através dos meios de comunicação para ensinar e para realizar a benzeção também online. Outra observação, portanto, envolve dois movimentos.Um é o resgate e a resistência das chamadas benzedeiras tradicionais frente à modernização tecnológica do ritual. Outro é a incorporação de novos elementos simbólicos e materiais, contribuindo para uma reconfiguração da prática a partir de um campo religioso e espiritual globalizado – ao mesmo tempo cada vez mais especializado e diversificado, mas que emerge como produto ou prestação de serviço.



Notas de la ponencia:


[1]  ABNT NBR 10520:2023.

[2] Ilheo, 2022; 2021 b; 2018; 2017.

[3] Por exemplo: a benzedura para carne rasgada ou rendida – como é popularmente designado um corte, lesão ou machucado “aberto” –, que consiste na ação de costurar a carne. Para fazê-lo a benzedeira ou o benzedor precisa de um pedaço de panolinha e agulha. Por meio do ritual, o tecido se torna correspondente à carne enquanto o agente realiza suas orações Assim, não se trata de uma representação simbólica do tratamento, mas da materialização da doença e de sua cura através da oração junto à ação e materiais específicos necessários para costurar. Desse modo, com uma linha e agulha, um retalho quadrado será dobrado ao meio e costurado ao longo de três dias, cada dia em um dos cantos, até que a carne esteja igualmente emendada.

[4] Ilheo, 2022.

[5] Entre eles estão, além de Campestre (Área Territorial: 577,843 km² (2020); População: 20.686 pessoas (2010); Índice de Desenvolvimento Humano Municipal: 0,698; Número de estabelecimento de saúde SUS: 6 (2009)), outras localidades vizinhas como Bandeira do Sul (A. T.: 47,266 km² (2020); Pop.: 5.338 pessoas (2010); ÍDHM: 0,692; Nº estab. saúde SUS: 3 (2009)), Botelhos (A. T.: 334,089 km²  (2020); Pop.: 14.920 pessoas  (2010); IDHM: 0,702; Nº estab. saúde SUS: 9 (2009)), Cabo Verde (A.T.: 368,206 km² (2020); Pop.: 13.823 pessoas (2010); IDHM: 0,674; Nº estab. saúde SUS: 6 (2009)), Caldas (A. T.: 711,414 km² (2020); Pop.: 14.464 pessoas (2010); IDHM: 0,687; Nº estab. saúde SUS: 7  (2009)), Machado (A.T.: 585,958 km² (2020); Pop.: 38.688 pessoas  (2010); IDHM: 0,715; Nº estab. saúde SUS: 18 (2009)), Poço Fundo (A. T.: 474,244 km² (2020); Pop.: 15.959 pessoas  (2010); IDHM: 0,691; Nº estab. saúde SUS: 7  (2009)) e Poços de Caldas (A. T.: 546,958 km² (2020); Pop.: 152.435 pessoas (2010); IDHM: 0,779; Nº estab. saúde SUS: 82 (2009)). Fonte: IBGE / Censo Demográfico (Ilheo, 2022).

[6] Ilheo, 2018.

[7] Ilheo, 2017.

[8] Ilheo, 2022.

[9] Ilheo, 2021 a.

[10] Souza, 1994.

[11] Figueiredo, 2002.

[12] Oliveira, 1983; 1985.

[13] Cabral, 1958; Cascaes, 2015; Cascudo, 2012.

[14] Brandão, 2007; Oliveira, 1983; 1985; Pereira e Gomes, 2018.

[15] Geertz, 2017; Mauss, 2015; Lévi-Strauss, 2012; Turner, 2005; Evans-Pritchard, 2005.

[16] Maluf, 1993.

[17] Quintana, 1999.

[18] Calvelli, 2011; 2009.

[19] Boletim Informativo, 2012; Sant’Ana, 2006; 2008; Vaz, 2006.

[20] Boletim Informativo, 2012.

[21] Miwa, 2014.

[22] Como no caso de Irati e São João do Triunfo no Paraná. Vide: Boletim Informativo, 2012, Vaz, 2006 – conforme Ilheo (2021 b; 2022).

[23] Conforme Ilheo (2021 b; 2022) é o caso, por exemplo, de Florianópolis (SC) ou Betim (MG).

[24] O caso mais recente, com a promulgação da Lei “Chiquinha Ferreira” (Lei Estadual nº 10.892/2021) que reconhece os saberes, conhecimentos e práticas tradicionais de benzedeiras como Patrimônio Cultural Imaterial do Rio Grande do Norte – conforme Ilheo (2021 b; 2022).

[25] Santos, 2016.

[26] Menezes, 2017; Tullio, 2017; Sussol, 2020.

[27] Ilheo, 2019 b; 2021 a.

[28] Ilheo, 2019 b; 2021 a.

[29] Frigerio, 2018; Steil, 2001; De La Torre, 2014.

[30] Calvelli, 2011.

[31] Brandão, 2007, p. 145ss.

[32] Frigerio, 2018.

[33] De La Torre, 2014.

[34] Ingold, 2010.

[35] Steil, 2001.

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